Colabore com reportagens exclusivas, sendo um Sócio-Patrocinador do site O MANGUE. Escolha sua opção de Assinatura On-Line, ou, se preferir, deposite qualquer valor em nome de Bruno de Almeida Silva, Agência 0183, Conta 121454-1, Caixa Econômica Federal. O Jornalismo Local e Independente agradece!

Assassinato de enfermeiro mageense em São Gonçalo segue sem respostas

Foto: Reprodução/Internet

Na noite de 5 de novembro, Magé perdeu um de seus filhos brutalmente assassinado, no bairro de Marambaia, em São Gonçalo. Jorge Patrício de Araújo, 37 anos, enfermeiro no Hospital Estadual Azevedo Lima, em Niterói, vivia uma relação de 12 anos com seu companheiro, que também é enfermeiro. Eles haviam acabado de adotar uma menina, de um ano, que presenciou quando um homem encapuzado invadiu a casa em que eles moravam, golpeou Jorge no pescoço e abdômen com uma faca e fugiu.

Antes de falecer, Jorge ainda buscou a ajuda de vizinhos. Com dificuldade, informou a esses que lutou com o assassino e conseguiu tirar-lhe o capuz, e que o reconhecia.

Jorge faleceu no Hospital Estadual Alberto Torres (Heal), no Colubandê. Mas antes, disse a amigos o nome da pessoa que o feriu: “Sebastião”. O caso está com a Divisão de Homicídios de Niterói e São Gonçalo – DHNSGD. Desde esse momento até agora, cinco testemunhas foram ouvidas, segundo informou por email a Assessoria de Comunicação da Polícia Civil no Rio de Janeiro, no último dia 6.

Casa em que Jorge e o companheiro viviam, em uma comunidade de Marambaia. Momento em que agentes encontram material semelhante a sangue, e um pedaço de pano que pode ter sido usado pelo assassino

“Sebastião da Cerâmica”

Amigos chegaram a denunciar um Sebastião, o de uma academia que Jorge frequentava. Mas, indagado sobre esse fato, o assessor da Polícia Civil garantiu, por telefone, que as investigações já apontaram que não houve qualquer participação dessa pessoa no crime, e que já está provado que o assassino é “Sebastião do bairro Cerâmica”, porém, a localização do mesmo, ainda não foi feita. Não há informações sobre o rosto do suspeito figurar nos cartazes de “procura-se”.

As investigações tiveram início com o delegado Wilson Palermo, e agora seguem com o delegado Fabio Baruque estando à frente. Muito embora o inquérito corra dentro de um prazo aceitável, a família e amigos de Jorge já pensam em acionar a ajuda de autoridades do Legislativo Estadual ligados aos Direitos Humanos, e juntamente com grupos de apoio a homossexuais vítimas de violência ensaiam uma manifestação pública para que o crime não caia no esquecimento. Um dos amigos, que pediu para não ser identificado, diz não acreditar em “crime de homofobia”, como à época foi cogitado por parte da imprensa televisiva. Mas confidenciou a pessoas próximas que Jorge, rapaz descrito como calmo, vinha tendo desavenças a cerca de um ano com certa pessoa, e não descarta a possibilidade de o assassino ter agido a mando de terceiros.

Jornal O São Gonçalo

O jornal O São Gonçalo, na ocasião, colheu os relatos do companheiro, que disse: “ele estava no auge de sua felicidade. Estávamos vivendo momentos maravilhosos, nos curtindo muito, curtindo a nossa filha, sempre passeávamos nas nossas folgas. No trabalho também estava tudo caminhando bem”, recordou o companheiro da vítima, que preferiu não se identificar.

Já o professor da rede municipal Carlos Henrique Patrício, muito conhecido em Magé, pede apenas que a Justiça seja feita.

— A gente não sabe exatamente o que falta, eles não nos chamam para passar explicações. Não sei se a crise do estado está contribuindo para essa demora, mas aqui estamos na expectativa de que a Justiça aconteça. Somos dez irmãos e vamos continuar adotando esse número, é nossa forma de nos consolar — fala Henrique, que já concorreu ao pleito de vereador e de conselheiro tutelar na cidade.

Perícia encontra faca, chinelo e provável sangue

Em uma das perícias realizadas na casa em que o casal vivia, na rua Itapeva, foi encontrado um pedaço de pano, supostamente usado pelo autor do crime para esconder o rosto, e material semelhante a sangue no muro. E no quintal da casa de uma vizinha, os agentes acharam uma faca e um pé de chinelo, que indicam terem sido deixados durante a fuga.

Jorge foi sepultado no cemitério de Suruí, lugar aonde viveu até dezoito anos atrás, antes de se mudar primeiramente para Niterói.

DEIXE UMA RESPOSTA