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ALUNOS EM MAGÉ ESTUDAM EM IGREJA, AGUARDANDO OBRAS NA ESCOLA DA COVANCA

Desde fevereiro os 358 alunos (das 14 turmas – do primeiro e segundo segmento) da Escola Municipal da Covanca, em Magé, não estão estudando na escola, e sim na Igreja Metodista, que fica há uns 600 metros. A transferência se deu devido as chuvas do fim de ano, que acabaram por revelar problemas no telhado da unidade de ensino, representando perigo aos alunos.

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As telhas que foram retiradas, na Escola da Covanca, ainda se encontram na unidade

Em uma semana a Prefeitura conseguiu trocar o telhado das sete salas, substituindo as telhas de cerâmica pelas de amianto. Mas o local onde funciona a administração da escola também demonstra preocupação, e a Prefeitura ainda não começou as obras, pedindo um prazo de 90 dias para resolver o problema. No dia 4 de abril, uma sexta-feira, a escola recebeu a visita do Conselho Tutelar I, que ainda não havia sido comunicado sobre a situação. O conselheiro Renato Kinupa foi categórico:

— O mais importante é que as crianças não estão tendo seus direitos violados, porque elas estão tendo aula, não vai haver nenhuma interrupção no ano letivo. Pior seria se elas continuassem num local com risco de desabar tudo.

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A igreja Metodista não tem muros nem portões que garantam a proteção das crianças

Mas, o que o conselheiro viu, não o agradou por completo. Na igreja, que na verdade foi onde a escola começou, há cerca de 40 anos, as crianças e adolescentes estão tendo que conviver com salas e banheiros que alagam quando chove, o espaço para refeição se mostra inadequado (com os alunos tendo que se revezar para lanchar), a recreação é feita em um campinho a beira da rua, a igreja não tem muros (o que, como pôde ser visto, faz com que a presença de cachorros seja comum), a iluminação em alguns casos não é apropriada (em uma das salas, por exemplo, não tem lâmpada porque falta uma escada para colocá-la), e em todo o tempo em que as crianças estavam por lá, tiveram que se adaptar a estudar em salas sem quadro, já que esses foram enviados pela Secretaria de Educação somente no dia 4 de abril, coincidindo com a visita do Conselho Tutelar.

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Uma das salas que as crianças estudam, na Igreja Metodista. Na primeira foto, a diretora e o conselheiro Renato, observando a chegada dos quadros negros

Renato informou que enviará um ofício à Secretaria de Educação cobrando explicações sobre o acontecido e um prazo definitivo para o início e fim das obras de restauração do telhado. A diretora da unidade, Hilda Rodrigues, que assumiu a escola em janeiro, faz questão de deixar claro uma coisa:

— A decisão de vir para a igreja foi tomada junto com o conselho escolar, que é muito atuante. Nós fazemos reunião, o conselho delibera conosco, quando houve a obra eu levava os alunos lá para mostrarmos o que está sendo feito até pra preservarmos o patrimônio no futuro. Eu não sei se em apenas uma visita rápida dá pra ter noção do esforço que estamos fazendo. O que me foi passado na Secretaria, é que eles estavam tendo problema com o fornecedor de material, por isso as obras ainda não começaram, mas isso já estaria sendo resolvido.

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O espaço onde as crianças se reúnem, de turma em turma, para merendar

Pelo menos uma vez durante o tempo em que se reúnem na igreja, os alunos tiveram um dia de aula cancelado, devido a um funeral que lá aconteceu. A Secretaria de Educação foi procurada pela reportagem de O Mangue, mas a única responsável para falar sobre o assunto estava na inauguração de uma Unidade de Saúde em Guia de Pacobaíba.

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