Colabore com reportagens exclusivas, sendo um Sócio-Patrocinador do site O MANGUE. Escolha sua opção de Assinatura On-Line, ou, se preferir, deposite qualquer valor em nome de Bruno de Almeida Silva, Agência 0183, Conta 121454-1, Caixa Econômica Federal. O Jornalismo Local e Independente agradece!

ENQUETE — 451 ANOS DE MAGÉ: O QUE COMEMORAR?

O município de Magé completou 451 anos de organização política-administrativa no dia 9 de junho, exatamente dois meses após o ex-prefeito Nestor Vidal (PMDB) ter sido caçado pela Câmara, e de o presidente do legislativo, Rafael Tubarão (PPS), assumir a prefeitura. Terminados o tradicional desfile cívico, que este ano voltou a acontecer na avenida Simão da Motta, e os shows com artistas globais, o site O Mangue foi às ruas e perguntou a alguns mageenses: “o que comemorar nesse aniversário?”

 

Maurício Pereira, eletrotécnico

IMG_3559

“Comemorar porque pelo menos estamos tentando acertar. O que reclamar de Magé? Comparando a outros municípios, nós ainda estamos até ganhando. Tem município por aí que não paga o funcionalismo, e nós estamos em dia com os funcionários. Mal ou bem, nós vamos chutando o balde. O problema aqui é muito pra reclamar, muito querendo fazer, e muito pouco pra ajudar”.

                                                                                            Andréia Mariano, doméstica

IMG_3579

“Não tem saneamento básico. Nós moramos em um bairro central, que é esquecido literalmente. Ali na subida para a Maria Conga é só barro. Nas vezes que cai barranco na rua, nós moradores é que temos que nos unir pra retirar, porque a prefeitura aparece pra ver e não volta. Agora, se é pra fazer asfalto pra depois quebrar pra fazer o saneamento básico, não precisa, porque a gente sabe que esses asfaltos sem saneamento básico são focos de corrupção. Magé está atrasado em todos os sentidos. Fica difícil dizer o que temos que comemorar. É o lazer que não tem. Não temos um cinema, não temos um teatro, não temos uma biblioteca, não tem entretenimento algum, nossos jovens ficam a mercê de outras coisas. E também a questão da empregabilidade. Não tem uma fábrica. Eu gostaria que eles melhorassem pelo menos a ferrovia, ou investissem em uma hidroviária, mas não vejo vontade política pra isso. Na rodovia a gente tem que desembolsar dez e cinquenta toda vez que tem que ir no centro da cidade procurar emprego, e são muitas pessoas que tem que ir pra lá, em Magé tem muita gente desempregada. Ficamos quatro horas só pra ir, dentro desses ônibus gelados. É um absurdo, é desumano. Aqui não tem trabalho.  Eu não vejo interesse algum de ninguém pra prevalecer a comunidade. De prefeito, de vereador, de nada. A população deveria ter mais consciência e ter cautela na hora de votar. O voto é muito importante, é a única arma que a gente tem”.

Orlando Bockorny, advogado

IMG_3560

“Nada. Nesse período todo ninguém fez nada. Vão fazer quando? Quem a gente pensou que seria a salvação, não foi. Decepcionou. Não tem um setor mais prioritário do que o outro que precise de melhorias. O que tem que mudar é tudo. Magé tá abandonado”.

                                                                                Débora Offredi, diretora pedagógica

IMG_3561

“No meu ponto de vista não há nada pra comemorar. Falta tudo no nosso município. Falta saúde, falta educação, falta respeito com o povo. Não temos o que comemorar, temos é que cobrar dos nossos políticos. Olha a situação que estamos vivendo agora. Os vereadores tomaram a prefeitura, vamos botar assim. Mas qual é o papel do vereador? Voltou o cabide de empregos. Vereador tem que fiscalizar. E porque não fizeram isso antes? Se o Nestor errou, eles também erraram. Dinheiro o município tem, nossa arrecadação é muito alta. Mas infelizmente cada um só pensa em si”.

Thiago Perdurabo, músico e produtor

IMG_3566

“Creio que em tantos séculos, ainda não temos muito o que comemorar. Há o problema da insegurança do primeiro distrito, da poluição extrema das praias e cachoeiras, que deveria ser levado em conta, e haver ao menos uma fiscalização, e em toda a cidade, do Centro à Raiz da Serra. Os assaltos têm aumentado consideravelmente, os casos de violência policial, como a que ocasionou a revolta do povo que queimou dezessete ônibus na cidade. Magé tinha tudo pra ser uma das melhores cidades do estado, mas a péssima administração tem deixado e muito a desejar”.

                                                                                       Lígia Alves, funcionária pública

IMG_3581

“Olha, a segurança e a saúde estão muito ruins. Magé só tem um hospital público, que não tem condições de fazer uma cirurgia, não tem especialização, não tem equipamento. Você tem que sair de Magé se precisar fazer uma cirurgia, se precisar tratar de um caso mais grave. Magé tá muito carente de tudo. Pra emprego, pra estudo, também temos que sair. Aqui é só pra dormitório, pra aposentado, pra quem tem uma profissão econômica já estável. Mas pra quem precisa ganhar dinheiro é difícil. Entra ano e sai ano é sempre a mesma coisa. A política também é aquela violência danada. Todo ano de eleição tem que morrer alguém. É perigoso, e de uns anos pra cá só vem caindo. O carnaval antigamente era diferente, não tinha perigo. Hoje em dia ninguém pode sair de casa. Em cada ano que passa, ao invés de melhorar, só piora.

Paulo Cesar ‘Redator’, jornalista

IMG_3557

“É surpreendente que no último pleito tivemos um mandato de quatro prefeitos, e hoje o que se escuta é que pulou para dezessete ou dezoito, sei lá. A população tem aplaudido o Rafael e ele realmente tem tomado atitudes que agrada em muitas coisas. Muitos aborrecimentos e constrangimentos que a população passava do outro governo, o Rafael tem tentado amenizar e acertar. A saúde tá começando a melhorar. O transporte ainda não está como deveria, mas deu uma amenizada. A coleta de lixo ficou um tempo a desejar, mas já deu uma sensível melhora. O que paira no ar é que a atual gestão está se saindo melhor do que a outra. O que se ouve na cidade é isso, não sei se é verdade ou se é mentira, assim como escuto também que a cidade não tem um prefeito só”.

                                                                                           Regilaine Letícia, professora

IMG_3583

“Nada a comemorar. Tá fácil morar aqui não, com essa violência não. Tá complicado mesmo. Muita gente indo embora por causa disso. A segurança pública está precária. Na educação, eu trabalho pro município, e posso dizer que pelo menos na minha escola não falta as coisas. Tenho plano de saúde, mas quando a gente precisa usar a rede pública, costuma faltar tudo”.

Robinho Villar, administrador

IMG_3558

“Com esse caos que a cidade está vivendo em relação a cassação do prefeito anterior, a cidade está parada. E hoje a gente precisa resgatar esse tempo. O município tem perdido muito com essas brigas internas de política. Aí o município deixa de produzir, até porque, nós também atravessamos essa crise que assola nosso país. E eu vejo que nos quatrocentos e cinquenta e um anos, a gente ainda tem que tentar recuperar o máximo possível de tudo que perdemos lá atrás. Magé já teve tudo e hoje praticamente não tem mais nada. As autoridades têm que rever o que faz bem pro mageense, e pegar de volta o que faz parte da cidade. Não é uma festa que vai mudar a cabeça do povo. Mas as obras, os projetos, as coisas que precisam ser feitas”.

                                                                                                Eliane Amaral, balconista

IMG_3585

“Eu quero comemorar aquele ar puro e aquele verde de Santo Aleixo, que ainda temos. Sei que moro num lugar privilegiado, pacato, em comparação com outros bairros. Mas em vista do que é lá no Rio, em Niterói, … eu acho aqui calmo, me sinto segura. Tem coisa pra melhorar sim, como todas as cidades têm. Por exemplo, acho que deveria investir mais nas escolas, tem escola que ainda falta professor. Tem que investir mais também na cultura e entretenimento pras crianças, priorizar mais a família.  E na área da saúde, eu graças a Deus tenho um plano, mas conheço pessoas que reclamam muito do hospital, e da saúde em geral. Minha sogra precisou ser internada em Teresópolis, porque aqui tava bem precário”.

 

 

 

 

 

 

DEIXE UMA RESPOSTA