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ESTUDANTES QUEREM PASSE-LIVRE NOS FINAIS DE SEMANA E FERIADOS

O veto do prefeito Nestor Vidal (PMDB) ao Projeto de Lei 031/2014, de autoria do vereador e candidato a deputado federal Leo da Vila (SD), fez com que estudantes da rede estadual lotassem o plenário da Câmara Municipal de Magé durante a sessão do dia 18 de setembro. O projeto, polêmico por natureza, pretende garantir a gratuidade das passagens de ônibus aos alunos da rede pública durante os finais de semana e feriados. Talvez já prevendo uma repercussão negativa sobre o veto, o prefeito pediu para que o projeto fosse reenviado para nova análise. A ideia agora é propor às empresas de ônibus uma redução do imposto pago ao município, como forma de compensação ao passe-livre.

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O presidente da Umes, Lucas Carvalho, de camisa cinza e mão levantada: “motoristas nos deixam parados nos pontos”

Se a proposta for aceita, Magé será o primeiro município a implementar, mediante um Projeto de Lei, a gratuidade nas passagens de ônibus ilimitadas para os estudantes do ensino público. Na cidade do Rio de Janeiro, após uma ocupação dos estudantes na Secretaria de Transportes, essa conquista já é uma realidade, porém dada em forma de Decreto. O PL foi apresentado na Câmara no dia 12 de agosto. E como demonstrado na sessão do dia 18, os estudantes já têm na ponta da língua palavras de ordem para o caso de o veto do Executivo ser mantido: “o dinheiro do meu pai não é capim, eu quero passe-livre sim”.

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A União da Juventude Socialista, uma das organizadoras da luta pelo ‘passe-livre’

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Para o presidente da Umes – União Mageense de Estudantes, Lucas Carvalho, a aprovação do projeto é uma luta contra um inimigo declarado:

— Precisamos nos unir contra os empresários de ônibus, em Magé liderados pelo senhor Manel Figueiredo, dono da Trel, Divina Luz e Iluminada. Queremos apenas exercer nosso direito de ir e vir e denunciar o descaso com que os estudantes mageenses são tratados. Queremos retirar essa coleira eletrônica que o estado nos impõe, chamada cartão magnético restrito. Nós fazemos as recargas nas escolas e quando chegamos nos ônibus as máquinas estão bloqueadas pelos fiscais e com isso não podemos viajar. Temos hoje o limite de cinco passagens por dia letivo, das 6h às 23h, mas por vezes os motoristas nos deixam parados nos pontos, não só a nós, mas também os outros usuários de passagens gratuitas, como idosos e deficientes físicos. Se esse veto do prefeito permanecer, nós vamos pra praça, aliás, já temos comissões de fiscalização nas rodoviárias, nas portas das escolas e pontos de ônibus para que nosso direito seja respeitado — fala Lucas.

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A Umes, que representa cerca de 50 mil estudantes em Magé e tem em sua base cerca de 10 mil deles, tem o apoio de outras entidades, como a União Estadual dos Estudantes Secundaristas – UEES, que se fez presente na sessão da Câmara, divulgando inclusive a campanha “Caravana UEES na Estrada” — a reivindicação para que os passes-livres sejam também intermunicipais.

 

 

Já o ônibus fretado para que os estudantes de várias cidades, como Rio, Petrópolis e Belford Roxo, ajudassem a ocupar a Câmara de Magé, estava a cargo da União da Juventude Socialista – UJS, que em Magé é presidida por Kevin Reis. O rapaz lamenta que, apesar da participação bem-sucedida do movimento em frentes nacionais (derrubada de Fernando Collor em 89, Lei do Passe-Livre para os estudantes há 10 anos, e mais recentemente a aprovação de 75% e 25% dos royalties do petróleo na Educação e na Saúde), em Magé a mensagem da União (um braço do PCdoB), ainda não tenha soado de forma tão clara: “aqui ainda nos falta estrutura para estabelecer uma relação política, a cidade foi usada como curral eleitoral por muitos anos e não conseguimos fazer nosso trabalho ainda de forma satisfatória” — analisa.

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