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EX-TÉCNICO DA SELEÇÃO DE MAGÉ, MARQUINHOS ABRE O JOGO: “ESQUEÇAM A LIGA MAGEENSE DE FUTEBOL”

Ele diz não guardar raiva, mágoa nem rancor de ninguém. Mas que deveria ser mais respeitado como cidadão e valorizado como profissional técnico de futebol na cidade onde mora há vinte anos, isso não resta a menor dúvida, e até quem não entende do esporte há de concordar, tais os resultados apresentados em sua carreira. Frustração? “Só pelo fato de deixarem o futebol de Magé acabar”, sentencia Marcos Vinícios Cândido de Oliveira, técnico da Seleção Mageense Sub-17 no ano passado e professor em sua escolinha Joga Moleque, que funcionou no campo do Bonfim por dois anos. O projeto deu um tempo por falta de verba mas já está retornando em Piabetá. Enquanto isso, Marquinhos segue treinando o Duquecaxiense, para onde levou nove jogadores mageenses, e orgulhoso também por seus pupilos que jogam no juvenil e infantil do Botafogo e do Nova Iguaçu.

Um dia após a seleção de Magé, sua ex-casa, vencer a de São Gonçalo por 2 x 1 (no último domingo, 28), classificando-se assim para a fase regional do campeonato estadual contra o Tanguá (o jogo será no dia 18 de julho no campo do Bonfim), Marquinhos concedeu esta entrevista em sua residência na Barbuda.

O MANGUE — Como foi sua atuação como jogador aqui em Magé?

MARQUINHOS — Eu jogava no União, que é de Guapi. De meia, depois lateral-direito e depois disputei o campeonato como lateral-esquerdo. Depois fui pro Bonfim, como volante e disputei campeonato também. Um tempo depois eu machuquei o joelho. Tive uma contusão, botei um pino e dois parafusos, fiz enxerto e tirei o menisco. Fiquei parado dez anos sem jogar bola. Aí só dava pra brincar ali no time do Celinho, o Só Alegria.

O MANGUE — E por serem times amadores, presume-se que todo tratamento foi bancado por você mesmo.

Marquinhos — Ah, sim, tudo por minha conta. Aqui é assim mesmo. Guapi ainda ajuda um pouco mais, por causa dos vereadores. Lá os vereadores não ajudam um clube só não, ajudam a todos os times. Já aqui em Magé…

O MANGUE — Aqui em Magé é muito centrado? É Bonfim e Mageense?

Marquinhos — Nem isso. O Mageense tá quase falido, tá quase perdendo aquele campo. Me disseram que aquele campo nem do Mageense é, parece que é do Banco do Brasil e não sei se tá uma briga na Justiça, alguma coisa assim. O Mageense não tem condições de disputar um campeonato, não tem apoio, tem nada. Quem botou o time no campeonato este ano foi o Miúdo numa dificuldade danada. O presidente assumiu no ano passado, tem que ver como está isso. A Prefeitura queria ajudar, mas tem que ser assim: eu quero ajudar mas quero ver as finanças do ano todo. Opa, tá entrando dinheiro aqui, então a esse clube eu não vou ajudar. E assim como o Mageense, todos os clubes estão assim. No vermelho.

O MANGUE — E como se deu a escolha do seu nome como treinador da Seleção Mageense Sub-17?

Marquinhos — Primeira coisa: hoje em dia você só elege um cara pra ser treinador da seleção de Magé pela amizade. Eu acho que pra você ser treinador de uma seleção, deveria juntar todos os times e fazer uma votação. Temos tantos treinadores aqui, vamos votar em quem a gente acha que vai ser o melhor. Hoje a seleção tem uma base de quarenta jogadores, a Liga paga passagem, paga isso, paga aquilo. Ano passado eu fui o treinador e só tínhamos treze jogadores, porque muitos treinadores não liberavam os jogadores pra jogar comigo. Isso porque muita gente ficou chateada quando soube que eu seria o treinador. Mesmo assim fizemos uma boa campanha. Houve um erro ‘extra-campo’ por isso saímos do campeonato, que no caso era o estadual. Se fosse pra continuar, com certeza a gente seria campeão.

O MANGUE — Qual foi esse erro ‘extra-campo’?     

Marquinhos — Um jogador que a gente escreveu errado. Tava errado na súmula e a gente botou pra jogar. Aí fomos eliminados na primeira fase. Organização da FFerj, coisa séria, todo ano tem esse campeonato e o que aconteceu foi isso. Quem ganhou foi a seleção de Campos em cima de Guapi.

O MANGUE — Jogador que jogou pela seleção de Guapi no ano passado e esse ano está jogando pela de Magé. Pela regra isso pode?

Marquinhos — Pra você ver. Falam que só pode ser jogador da cidade, mas tem jogador que mora em Magé, eu os convoquei no ano passado, porém eles foram jogar na seleção de Guapi, e esse ano estão jogando na seleção de Magé. Então não dá pra entender esse tipo de coisa.

O MANGUE — Você falou que pra ser treinador da seleção de Magé, é só pela amizade. Quem eram seus amigos quando você foi chamado? 

Marquinhos — Tem que ter amizade com a direção da Liga. Quem me convidou foi o Marquinhos meu xará, que é quem praticamente supervisiona tudo ali, corre atrás de jogador, etc; e o Nílson que era vice mas tava pegando a presidência. Eles conheciam meu trabalho porque eu fui campeão sub-15 pelo Joga Moleque disputando um campeonato lá no Rio. Nas semifinais viemos jogar aqui e o Marquinhos viu o jogo. Eu substituí o Tizil, que um ano antes já não tinha feito nada pela seleção, e hoje está lá como técnico novamente.

O MANGUE — E o Nilson assumiu como presidente numa situação um tanto quanto polêmica, que foi substituir o então presidente Aldecir, pressionado a renunciar por não comparecer às reuniões.

Marquinhos — Isso aí.

O MANGUE — E o Aldecir havia sido indicado pelo secretário municipal de Habitação e Urbanismo, Paulo Vaz, que na época era chefe de Gabinete da Prefeitura e posteriormente foi secretário de Governo, e hoje parece que é pré-candidato a vereador. O que você acha dessa influência, dessa politicagem no meio do esporte? É prejudicial ou benéfica?

Marquinhos — Você falou tudo. Politicagem. E eles próprios não escondem isso. Agora, é claro que isso atrapalha. Porque veja só: o cara não ajudou em nada. O presidente foi eleito por causa do Paulo Vaz pelo que entendi, mas não ia às reuniões. O Paulo Vaz nunca deu um real para a Liga, não que a gente saiba. Eu nunca vi uma Liga na qual você disputa um campeonato que só te dá troféu. Eu nem falo por mim, porque trabalhei de graça, nunca recebi um centavo, mas poxa, você paga carteirinha, você tem gastos com jogadores porque tem que levar pra jogar em Andorinhas, em Piabetá, em Suruí,…e na seleção você tem que sair da cidade pra jogar. E é assim. Uma vez um jogador nosso se machucou durante um jogo em Niterói e quando chegou em Magé não tinha Raio-x no hospital e nem ambulância pra levar pra Fragoso. Eu sempre pedi ajuda a todos esses políticos que estão aí e todos eles disseram que não tinha como.

O MANGUE — Os jogadores contribuíam?

Marquinhos — Aqui em Magé eu pagava ao juiz, e quando os jogadores podiam ajudar, ajudavam. Fora isso, eu tirava do meu bolso a maioria das vezes. Pedia patrocínio a todo mundo aí. Fui nesse ‘Marquinho da Casa do Piso’, chegamos a colocar o nome dele nas camisas porque ele falou que ia ajudar e nunca ajudou, esse cara da água mineral aqui da Barbuda foi a mesma coisa, fui na RK Cartucharia,…só promessas. Fui na própria Prefeitura, bati um documento que eu acredito que tenha sido entregue ao prefeito, mas nada, nunca tive retorno.

O MANGUE — E na Secretaria de Esportes?

Marquinhos – Existe Secretaria de Esportes em Magé? Não sei nem aonde fica, não sei nem quem é o secretário, nunca vi. Toda a cidade recebe do governo federal dinheiro para o setor de esportes. Mas em Magé eu nunca vi. Cadê o Bolsa Aleta? Aqui nessa cidade ninguém faz nada pra ajudar a ninguém, os caras só pensam neles. Você ouve falar que em Magé algum atleta está disputando isso ou aquilo lá fora? Não tem. Você vê Caxias, São Gonçalo, Rio, Resende, Volta Redonda, Macaé, essas cidades todas são bem faladas. Isso é triste, porque o esporte leva o nome da cidade, é uma forma de fomentar o turismo, tornar a cidade conhecida, desenvolvida, valorizar nossos jovens. Magé poderia ser projetada em nível nacional por causa do esporte porque aqui tem muito atleta bom. Agora, quer ver mais pouca-vergonha ainda? Foi no ano passado, que foi ano eleitoral, o prefeito Nestor Vidal deu uniforme completo para todos os times que ele colocou no campeonato e deu ônibus pra todos esses times. Poxa, num campeonato amador? É pra compra de voto? Só pode. Época de política eles dão tudo, ano que vem vão procurar todo mundo. Durante quatro ou cinco meses você consegue deles o que você quiser. Vão procurar a mim, a você, pode esperar que é certo. Eu penso o seguinte: se quer ajudar, ajuda os clubes que estão falindo, dá infraestrutura pra fazerem um campeonato decente.

O MANGUE — E à Câmara Municipal, você chegou a recorrer?     

Marquinhos — Fui, claro. Fui lá no presidente Rafael Tubarão, porque ele prometeu ao Nilson que iria ajudar a gente. Então ele falou que ia alugar uma van pra gente jogar em Niterói e cumpriu a palavra. Peguei o dinheiro, levei o recibo, tudo certo. Mas, aqui, quando ele vai ajudar aos garotos aí, ele dá dinheiro, dá lanche, paga churrasco, paga isso, paga aquilo, paga aquilo outro, então será que ele só pode ajudar um lado? Olha, eu só o vi e conversei com ele uma vez. Parece ser uma boa pessoa, bom coração, tem vontade de ajudar. Mas as pessoas que trabalham pra ele o atrapalham muito, deixam a desejar. Esse ano ele deve tá ajudando a seleção, porque o Ramon, que é o vice da Liga, trabalha pra ele. Esse Ramon e o Tizil, que é o treinador, estão juntos, são uns caras ‘sangue-suga’, ficam ali e tal…Eu nunca vi um vice-presidente de Liga colocar time no campeonato, e o Ramon bota. Time dele. Isso não existe, nunca vi isso na minha vida. Ele tem que ser imparcial. Se ele escala juiz, faz as carteirinhas, faz tudo, ele não pode botar time pra disputar. Como pode isso?

O MANGUE — Pois é, como é essa história de pagar ao juiz? Porque você disse que como treinador você também pagava…

Marquinhos — É isso que tô te falando, ainda continua isso. A gente paga transporte, paga juiz que na época custava R$ 50 pra cada time, pro juiz apitar o jogo. Então tem que começar a ter alguma mudança.

O MANGUE — E como vira esse jogo?

Marquinhos — É como eu falei pra alguns times ali: faz uma Liga independente, fica mais prático, os próprios clubes vão se organizar, vão falar o que pode e o que não pode. Esse ano eu disputei o sub-17 pelo Joga Moleque, não queriam nem deixar eu disputar, mas entrei. Ganhamos o primeiro jogo contra o Mageense, e fomos jogar contra o Santo Antônio lá em Nova Marília. Meu time estava já arrumado no vestiário, quando íamos entrar, às dez horas em ponto, o juiz entrou no vestiário dizendo que a gente não podia jogar mais porque tomamos W.O. E eu tinha pago ao juiz, um tal de Pelé. Fizeram uma votação maluca lá e pronto, nos tiraram. Olha, cada time paga cerca de R$ 80, R$ 90 para a Liga. Como que organiza campeonato assim? Pra ter uma ideia, o Pau Grande, que revelou Mané Garrincha, não disputa campeonato porque não tem condições e tem um baita de um campo. Então eu falei para os times: esqueçam a Liga Mageense de Futebol, esqueçam a Prefeitura, corram atrás do patrocínio de vocês.

 O MANGUE — Esse seria o primeiro passo para Magé disputar o campeonato profissional? Parece que precisa de um estádio no município para não sei quantas mil pessoas.

Marquinhos — É, a Prefeitura tem que construir um estádio, vai dizer que ela não tem um terreno? Olha Macaé como que tá, olha Campos, municípios que também recebem royalties e têm time que representa. Mas a terceira divisão pode jogar em Pau Grande mesmo. O negócio é que tem que pagar entre quinhentos mil a um milhão para inscrever um time na federação, o que também não é nada para a Prefeitura, mas ela não sabe fazer parcerias. O que pode ser feito também é o município fechar uma parceria com um time que não vá disputar e relacionar o nome desse time ao nome de Magé, igual fizeram com o ‘Rio São Paulo/Guapirimim’. Mas aqui, nem isso.

O MANGUE — Voltando à seleção, quando você abriu mão do cargo de treinador?

Marquinhos — Eu não abri mão, eles simplesmente não me chamaram pra participar de mais nada, não falaram mais nada. Quando foi esse ano já estava lá o Ramon e o Tizil nessa panelinha deles.

O MANGUE — E o presidente, o Nilson? É omisso?

Marquinhos — Não, é uma boa pessoa. Mas fica ali dependendo do Ramon por causa do Tubarão. Não tem muito o que fazer, é aquela amizade ali então fica deixando o Ramon tomar conta, o Tizil tomar conta, fica aquilo ali. É muito complicado mesmo.

O MANGUE — E o trabalho técnico que vem sendo realizado, o que você diz? 

Marquinhos — Olha, eu não tenho acompanhado, me desliguei mesmo. Mas nunca vi um time treinar só coletivo. Time tem que ter treino tático, tem que treinar um técnico, tem que treinar um físico. Isso tudo é parte do futebol. Mas não, a pessoa pensa que é só botar em campo e vamo lá. Quero saber se treina uma falta, um pênalti, jogada ensaiada no escanteio…

O MANGUE — Qual seu objetivo como treinador profissional?

Marquinhos — Eu concluí o curso na Associação Brasileira de Treinador de Futebol, a ABTF. Estudei pra isso, fui buscar. Aqui em Magé só eu tenho esse curso, que é obrigatório para um técnico profissional. Eu quero chegar a um bom clube.

O MANGUE — E seu trabalho com o Joga Moleque no Bonfim?

Marquinhos — Ficamos ali por dois anos, eu tinha bastante aluno mas no final já tava com poucos porque eu falei que não ia ficar mais. Isso porque o presidente, que é o Gojoba, falou que ia montar a escolinha do Bonfim, coisa que até hoje eu tô esperando. Eu fazia um trabalho bom, mesmo sendo voluntário, tenho jogadores hoje que estão no Botafogo, no Nova Iguaçu, tem cinco comigo disputando o sub-15 em Caxias e outros quatro disputando o sub-17 lá também, que eu levei daqui. É tudo da escolinha, tudo mageense. Tinha jogador que treinava comigo e na época de campeonato ia disputar em outros times, porque tinha gente disposta a pagar, mas que no final das contas não pagava nada, ia pela amizade, aquela coisa. Aí vai da índole do jogador. Se o jogador treina comigo e na hora de jogar vai pra outro time, não vai chegar a lugar nenhum. Tem um monte de jogador aqui em Magé que não vai chegar a lugar nenhum. Não quer acordar cedo, não quer fazer física, não quer treinar. Na minha época só tinha eu, não sei de outra escolinha aqui em Magé. Eu parabenizo o projeto social do Anderson e do Tchuquinha, no Mundo Novo, são ótimas pessoas. Tem o Ricardo também em Suruí, o trabalho dele é bom. E eu tô abrindo o Joga Moleque agora lá no campo do Alvejamento, com o Marcos, no Reta em Piabetá. Vou ficar vindo de vez em quando dar uma ajuda a ele. Acho que em Piabetá é melhor pra conseguir patrocínio, tem mais visibilidade. Muita gente achava aqui em Magé que eu visava dinheiro. Nunca visei, meu negócio é ajudar. Garoto gosta de esporte, de futebol, e com isso você consegue tirar até muitos deles das drogas. As drogas são um problema sério, infelizmente ela vence em muitos casos. Pra treinar comigo o garoto tem que estudar, eu cobrava nota de escola, a gente fez amistoso contra o Fluminense, contra vários times, onde depois os garotos vão fazer teste, isso anima eles. Era muito bom.

O MANGUE — Se você tivesse que escalar um time de políticos mageenses em quem você nunca votaria, por quem você começaria?

Marquinhos — Vereador Silmar. Aquele cara pra mim é nada. Ele me disse que estava dando a palavra dele, então eu acho que uma palavra vale mais do que coisa escrita, você dar uma palavra de homem e não cumprir é a pior coisa que tem. Esse Silmar não tem caráter nenhum. Ele foi no campo do Bonfim pegar uma rede velha pra botar num campo lá em Nova Marília. Daí eu peguei uma rede melhor pra ele, e ele me prometeu que me ajudaria com o transporte para o campeonato, isso já no fim do campeonato, mas tudo bem. Só que chegando o dia do jogo eu liguei pra ele do meu celular e ele não atendeu. Liguei no mesmo instante de outro número e ele atendeu na hora. Quando eu falei qual era o assunto ele desligou o telefone na minha cara. Uns vinte jogadores presenciaram. Outro é o José Augusto Nalin. Esse foi arrogante, ignorante. Falou que não ajuda a nenhum projeto. Fiquei imaginando como seria um cara desse se fosse eleito deputado federal. Outro que não voto e falo para ninguém votar é próprio Tizil, porque o conheço, ele está vindo candidato também; o Dark Junior, que só quer saber da patotinha dele. Trabalhei para o Dark, nunca pedi um real mas ele também não me ajudou com nada. Esse Carlinhos da Ambulância é a mesma coisa. Falar mal do prefeito é tão fácil, mas tem que ver qual interesse dele em falar mal? Ajudei Carlinhos a ser eleito da primeira vez que ele ganhou e acho que ele deveria ver um pouquinho meu lado também né? Quem não sabia do meu projeto em Magé? Aquela Soninha também, eu tive o desprazer de conhecer, nossa senhora. Foi lá, perguntou o que eu precisava e sumiu, nunca mais achei. Papai do Céu sabe o que faz e não deixou ela ganhar pra deputada. Outros que eu peço pra ninguém votar: Paulo Vaz; Batata, que é morador do meu bairro e nunca fez nada aqui; Joelson do Saco, que também ficou de colaborar, mas é muito devagar. Fechou os onze?

O MANGUE — Faltam dois.

Marquinhos — Nestor Vidal e esse secretário de Esportes, que eu nem sabia que existia.

O MANGUE — Leandro Rodrigues, que voltou a ser vereador.

Marquinhos — Isso. Agora eu quero ressaltar o seguinte: o Werner Saraiva foi realista porque disse que não tinha como me ajudar, então o cara tem que ser no mínimo sincero, eu gostei dessa atitude dele. O Geraldo Gerpe hoje é secretário de Ordem Pública mas quando era vereador pediu pra eu procurá-lo e não o procurei, então o erro foi meu. Mas senti sinceridade nele. O Ricardo da Karol me ajudou em outra época, não desta vez que ele veio deputado não. E se a Núbia viesse candidata meu voto era dela, porque ela fazia a coisa acontecer. Já esse Renato Cozzolino eu não boto firmeza não.

O MANGUE — E como você foi parar no Duquecaxiense?

Marquinhos — Entrei na Vila Olímpica de Caxias para assistir um jogo e conheci a esposa do dono do time. Batemos papo, ela me deu o telefone e pediu pra eu ligar. Em agosto do ano passado pedi permissão pra levar alguns jogadores, eles foram ficando. Marquei um amistoso, até que pintou uma vaga para treinador do sub-15, o Gilberto me chamou. Estou lá há dois meses, disputamos oito jogos, vencemos seis e perdemos dois. Sou segundo ou terceiro no campeonato carioca da terceira divisão, dependendo da tabela de hoje. Outros garotos que eu levei pra lá estão disputando a segunda divisão e também se dando bem. E pra você ver, tá todo mundo bobo com minha campanha. Porque os treinos lá são segundas, quartas e sextas-feiras. E eu só treino com eles durante uma hora a cada dia, porque tem que ceder o campo para o outro time. Todos os nossos adversários treinam diariamente. Então, acho que pra estar onde estou, é porque estou fazendo um excelente trabalho.

O MANGUE — O salário é bom?

Marquinhos — Pra um clube de segunda divisão, me pagar mil reais por mês, certinho, até que não é nada mal.

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