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‘Grupo Consciência da Depressão’ ajuda a quem sofre de Transtornos Psíquicos em Magé

Os dias 30 de março e 2 de abril, respectivamente reservados em todo o mundo à Conscientização sobre o Transtorno Bipolar e sobre o Autismo, foram lembrados pelo Projeto Social Famílias pela Consciência da Depressão, que saiu na manhã de ontem pelas ruas de Piabetá com batucada, cartazes e panfletos.

O grupo passou a existir em 2014, em uma casa na Vila Cruzeiro, comunidade do Rio de Janeiro, e hoje as famílias se reúnem no hall social da primeira Igreja Batista em Piabetá, todos os segundos e quartos sábados de cada mês. Tudo começou com o psicanalista e pastor presbiteriano, Mario Jorge dos Santos.

— Em 2007 eu surtei, fui parar na rua, Central, Cinelândia,…até que fui internado no CPRJ, Centro Psiquiátrico do Rio de Janeiro, onde fui diagnosticado com depressão psicótica com risco de suicídio. Eu já havia tentado o suicídio cinco vezes. E minha irmã já havia se suicidado por causa desse mesmo problema, ateando fogo ao corpo — conta Jorge.

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Da esquerda para a direita: a colaboradora Regina Lúcia, o presidente do projeto Mario Jorge, a vice-presidente Priscila Araújo, o músico Itaguaraci, a assistente social Caroina Ribeiro, e a ‘mascote’ Mariana 

Brasil: 17 milhões de pessoas com transtornos depressivos

Os Transtornos Psíquicos, e as chamadas ‘doenças da alma’, como ansiedade, depressão e stress, não escolhem idade, sexo, classe social, cor da pele, crença religiosa, nível de estudo. Por isso, a melhor forma de combate é através da “Informação e Orientação”, até porque, continua Jorge, “quanto mais cedo se descobre esses problemas, há mais condições de tratamento”:

— Existe muito desconhecimento sobre o assunto. Na época, por exemplo, nós não sabíamos que minha irmã tinha um problema de saúde e não uma ‘frescura’. Hoje, esses encontros que promovemos, com palestras e terapias de grupo, tendem a diagnosticar problemas e a partir daí podemos encaminhar para tratamento com os profissionais que nos auxiliam, como psicanalistas, psicólogos e nutricionistas. Apesar de acontecer em uma igreja evangélica, não há vínculo religioso. Somos em cerca de vinte e cinco pessoas, a maioria com algum tipo de transtorno, outras que suspeitam que tenham, outras que conhecem alguém que tem — explica.

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O Projeto social ‘Som na Lata’ abrilhantou a campanha – professor Guará e as crianças do Beco do Saci que confeccionam seus próprios instrumentos

Dados mais recentes no Brasil apontam para 17 milhões de pessoas com transtornos depressivos. Desses, a cada 100, quinze pessoas cometem suicídio.

— Isso é o que se tem registrado. E quantas pessoas tem o transtorno e não sabem? Nem toda tristeza ou melancolia, ou raiva, ou euforia, pode ser depressão. Mas, se for continuado, é bom que se investigue — alerta e aconselha o psicanalista.

Magé: um médico para setecentas pessoas, e sem emergência para surtos

Especificamente na cidade de Magé, são em média cinco mil pessoas tratadas pela Secretaria de Saúde através dos Caps (Centros de Atendimento Psicossocial) e do ambulatório Carlos Ullman. Mário Jorge faz uma observação: “o número é bem maior, porque muitas pessoas  procuram ajuda na rede particular”, e tem uma visão crítica:

— O atendimento é extremamente precário. Não por conta dos profissionais, que são dedicados, mas a demanda é muito grande. Em Magé tem médico que atende a setecentas pessoas. E não há emergência para surtos psicóticos, nesses casos temos que levar o paciente ao Hospital Municipal Dr. Moacir do Carmo, em Caxias. Outra questão é que o acompanhamento deve ser integrado entre a Secretaria de Saúde e a de Assistência Social. Setenta por cento das pessoas que estão nas ruas têm algum problema mental ou são usuárias de álcool e drogas.

O trabalho do grupo se dá de forma voluntária e independente, e Jorge, que é também o presidente do projeto, revela o porque:

— Fazer parceria com o poder público é complicado, as pessoas atrelam a partidarismo. Nós não visamos a organização e sim o organismo, o indivíduo. A realidade é que é mais fácil fazer parceria com o poder público em nível de Ong e Oscip quando se trata de Esporte e Educação, do que quando se trata de Saúde. Pra se ter uma ideia, apenas dois projetos dessa natureza são patenteados no estado do Rio: o GAB — Grupo de Apoio à Bipolaridade, e a ABRATA — Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos.

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O calçadão da Rua Brasil foi um dos pontos por onde a campanha passou 

Não à Psicofobia

O abuso ou desrespeito às pessoas que possuem algum tipo de transtorno psíquico é crime no Brasil, pela lei 263/2012 de autoria do senador Paulo Davim. Também foi aprovada pela Comissão de Direitos Humanos, em maio de 2014, o PLS 74/14, para o crime ser enquadrado no código penal como injúria, e prever pena de 2 a 4 anos de prisão.

— É como já dizia Freud, ninguém pode ser considerado normal; a normalidade não existe. O que existe são pessoas mais ou menos adequadas à sociedade — lembra o doutor e sobrevivente Jorge.

Quem se interessou pelo assunto e deseja entrar em contato com o projeto, pode fazê-lo pela página: www.facebook.com/conscienciadadepressao

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