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“HOMEM-DE-FIBRA”: NÉLIO FIGUEIREDO É LIÇÃO DE VIDA E ESCULTURA

Um orgulho de Magé e sobrevivente do Rio de Janeiro é Nélio Figueiredo. Um dos precursores do artesanato nos cenários da Rede Globo de Televisão, escultor da Beija-Flor de Nilópolis por doze anos, com 30 anos de profissão atua hoje como Microempreendedor Individual trabalhando todos os dias logo pela manhã bem cedo.

Aos 58 anos, recebeu a reportagem de O Mangue no último domingo em seu estúdio na Figueira, e não faltou história. Começou se lembrando de quando teve, aos 18, que sair de casa para trabalhar em Bonsucesso (“pra mim aquilo era muito longe, eu tinha medo, era um garoto bem pacato”).  Da superação da separação dos pais, passando pela preservação dos nossos mangues através de uma associação de canoagem, dando um pulinho pelo carnaval que não existe mais em Magé, bem que esta matéria também poderia se chamar: “Tudo que molda o mestre dos moldes”. E ainda assim seria pouco, tamanha a lucidez, opinião e experiência de “Nélio da Fibra”.

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Nélio com algumas de suas criações, verdadeiros pontos turísticos de Magé, em frente ao posto de gasolina da Figueira: “Todas as crianças de Magé já têm foto com esses bichos, vem gente de longe fazer foto”

O MANGUE – Você se lembra de quando percebeu pela primeira vez que tinha dom para esculpir?

NÉLIO FIGUEIREDO – Eu trabalhava com fibra, fazia veleiro, caiaque, prancha de surf, bugre, até que fui parar na Rede Globo, trabalhando diretamente com Mário Monteiro, que até hoje está lá como chefe de cenário, e com o Mário Nogueira. Lá conheci um cara que era um mago na argila, veio da Bahia só pra isso, e virou um grande amigo. Ele criava o começo de tudo na argila. Comecei a ver aquilo e vi que esse era meu mundo, que aquilo ali eu fazia também. Só que eu nunca tinha feito nada em argila, nem imaginava. A maioria das coisas na TV era fibra, isopor, então foi ali que eu comecei a fazer algumas coisinhas. De lá fui pras escolas-de-samba: Beija-Flor, Mangueira, fazendo os carros alegóricos deles. Aqui eu fui campeão sete anos diretos pela Flor de Magé, numa época em que tinha carnaval em Magé. E um dia eu fui fazer pra eles o Vinicius de Moraes e a Jacqueline Onassis, e minha mãe me viu fazendo aqueles bonecos e ficou impressionada, os vizinhos vieram olhar, e ela disse: “meu filho, é isso que os outros dizem que você faz lá no Rio?”. Eu disse “é, mãe”. Então ela continuou: “quando você era pequeno, seus tios cavavam argila pra fazer fogão e aproveitam pra fazer bolinha de gude pra caçar gambá, sabiá, esquentavam na chapa e subiam esse morro pra caçar com estilingue, e você aproveitava aquele resto da argila pra fazer bonequinho”. Então, essa era minha brincadeira. Foi aonde eu me liguei que eu nasci com esse dom.

O MANGUE – Além de ter nascido com esse dom, você nasceu em um lugar privilegiado para retirar sua matéria-prima…

NÉLIO FIGUEIREDO – É, eu vivo desse mato aqui, é tudo aqui do chão, essa terra é argilosa, você cava e dois palmos é água transparente e argila clarinha, em qualquer lugar aqui. Até isso Deus me deu. Todo mundo aqui tem poço, a melhor água de Magé é aqui. Você sabe porquê o nome do nosso bairro é Figueira? Porque aqui em frente ao posto de gasolina tinha um pé de figueira muito grande e tinha um poço embaixo. Então quando tinha falta d’água em Magé o pessoal falava: “vamos lá na Figueira” pegar água. E pegou.

O MANGUE – Falando em Figueira, já pensou como seria a história do Morro do Bonfim contada nesses 450 anos de Magé?

NÉLIO FIGUEIREDO – Era intenção de todas as escolas aqui falar de Magé esse ano. Eu ia botar isso na avenida com os carros, mostrar o que era isso antes do Descobrimento do Brasil. Eu mesmo não sabia. O cara me passou a sinopse e aí que fui saber. Olha só o que o carnaval trás: conhecimento. Só aí que eu passei a saber que onde eu jogava bola e brincava, foi o maior palco de guerras quando os colonizadores chegaram aqui matando os índios, catequizando-os…aí que fui saber que houve os timbiras, aquela história linda da índia, as pessoas têm que saber dessas histórias.

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Uma das novas invenções de Nélio é este vaso de planta inteligente, capaz de abrigar quatro litros de água, que podem ser reutilizados, e também serve como porta-cinzeiros ou porta guarda-chuvas. “Ando muito lá pela zona sul do Rio, e tive essa ideia para atender a hotéis, prédios de luxo,…posso fazer em grande escala e em vários tamanhos”

O MANGUE – E porque não houve carnaval esse ano? É o princípio do fim?

NÉLIO FIGUEIREDO – O Nestor Vidal botou uma lei, que foi aprovada, para que todo ano tivesse a subvenção do carnaval. Porque nos outros anos era sempre aquela preocupação: “será que vai ter carnaval?” Mas esse ano, alegou que as escolas não puderam trabalhar porque os bombeiros não permitiam por causa daquele incêndio que houve lá no Sul em 2013. Parece que a lei continua vigorando para a não-abertura desses lugares aqui. O que alegaram foi isso: falta segurança. E estão cobrando uma dívida das escolas que têm quadra: cento e poucos mil ao Canal, noventa mil à Flor de Magé, e sessenta mil ao Vila Nova. Carnaval não é só a alegria do mageense. Mas as pessoas ficam aborrecidas, vão viajar, falam que o carnaval acabou, falam que o prefeito é isso, que o prefeito é aquilo,…prefeito que não bota carnaval em Magé o pessoal fala mau em todos os bares. Acho que a Prefeitura poderia dar um jeitinho, apesar dessa crise que a gente sabe que tem, que tá geral, até na Cidade do Samba.

O MANGUE – Até porque o papel da Prefeitura não é só cobrar. Mas você reparou uma queda no carnaval do Rio esse ano?

NÉLIO FIGUEIREDO – É. Mesmo já não trabalhando mais com isso, eu acompanho, tenho muitos amigos lá, vou lá sempre que posso, ando aquilo tudo. E esse ano, olhei os carros alegóricos, e como sou conhecedor da causa, falei: “a Beija-Flor é sempre rica, mas as escolinhas…” E isso preocupa, isso dói no coração. Pra ter uma ideia, nos outros carnavais era tapume da Petrobras pra tudo que é lado. Esse ano quase não se viu. E vai ficar bem pior, porque a Petrobras é de fato a energia do carnaval, a mão-forte ali. Sem falar da subvenção dos governos, claro.

O MANGUE – E o bicho? O próprio Neguinho da Beija-Flor, ao ser criticado pela vitória com um enredo sobre um país ditador, reagiu dizendo que “sem contravenção não existiria carnaval”. Aliás, o que você achou desse título?

NÉLIO FIGUEIREDO – A Beija-Flor é uma escola que se tornou grande por ser afastada. Não é como Madureira que tem três em cima uma da outra, tudo falindo. Ela tá lá em Nova Iguaçu, abrange aquilo tudo, já era rica e agora com esses títulos ficou uma escola de ponta. Quanto aos bicheiros: é um lado financeiro que a gente como escultor não acompanha, só vê chegar material. Mas no meu ponto de vista: trocar o jogo-de-bicho pela loteria é muito fácil. Mas trocar o desempenho do carnaval pela Prefeitura, realmente é muito complicado. Seria até o certo, mas é complexo demais. Esse mundo do samba é muito fechado, eles tão querendo arrombar agora pra entrar. Na época de Capitão Guimarães, Maninho, era pesado. Esses dias até fizeram a licitação pra Liesa, mas ninguém quis pegar. A pessoa fica de pé atrás. Porque? Porque aquilo é o mundo deles, eles criaram aquilo em cima do jogo-de-bicho e investem alto o ano todo. E escola é assim: carnaval acabou, eles já tão arrumando outro enredo. Ah,..tem Minas Gerais, tem Brasília e tem Maranhão pra gente falar. Quem dá mais? Maranhão? Então vamos falar de São Luís do Maranhão. Não era intenção falar da política, de crime na Guiné Equatorial, nada disso. Mas como lá é um país que não é democrático, mexeu com todo mundo aqui.  A Beija-Flor é polemica demais. Tanto que o Luisinho Drumond foi presidente da Liesa e foi tri-campeão em cima da Beija-Flor. Seu Anysio nunca quis ser, nunca brigou, nunca falou nada. Laíla é que falava muito, se esperneava. Quando perdemos três vezes direto para a Imperatriz, o Laíla reuniu a gente e disse que se a gente perdesse de novo ele iria abandonar o mundo do samba. Falou que não era certo aquele resultado. Mas como os bicheiros tão ficando velho, tão morrendo, a prefeitura tem que assumir. O Eduardo Paes e o ex-governador fazem um papel bonito, eles recebem todas as escolas.

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Árvores são uma das especialidades do artista, que trabalha com argila, fibra, isopor, e poliuretano

O MANGUE – Você conviveu com Joãozinho Trinta?

Nélio Figueiredo – Não, já entrei na época do Laíla. O Joãozinho adoeceu, e sumiu de lá. Mas uma época me levaram pra um trabalho em um shopping, era uma escultura enorme, coisa de dez metros, nem sabia de quem era, fui lá pra fazer. E já no final chegou o Joãozinho Trinta, já debilitado, achou o trabalho bacana. E ele conversando lá com um rapaz, falou: “é isso aí, a gente tem que tirar da cabeça o que não tem no bolso”. Eu nunca esqueci disso, trago comigo até hoje. Carnavalesco é tão criativo que eles pegam aqueles frasquinhos de purpurina, que vêm caixas e mais caixas, então eles pegam aqueles potinhos vazios, enchem de pedrinhas, alguma coisa que vira um chocalhozinho e penduram na roupa da bateria de um modo que ninguém nem vê. Você imagina a bateria toda com aquilo, em cada passo que ela dá. Se para a bateria, entra aquilo. Isso é criação, nunca tem fim. A gente tá sempre inventando.

O MANGUE – Você já era Beija-Flor antes de ir trabalhar lá?

NÉLIO FIGUEIREDO – Pra você ver como são as coisas. Eu sempre dizia que era Beija-Flor, Botafogo e Brasil.

O MANGUE – Voltando um pouco sobre o financiamento do carnaval pela Petrobras, parece que houve um projeto para qualificação de pessoas aqui em Magé…

NÉLIO FIGUEIREDO – Era um projeto federal. Aconteceu em todo o Rio, inclusive em Guapi, mas em Magé não. Era assim: cada escola nas cidades poderia cadastrar duas pessoas pra mandar pro barracão no Rio, pra aprender. Se for bom, as escolas aproveitam e a pessoa traz o que aprendeu pra cidade dela. As pessoas vinham me perguntar: “tu tá em Guapi? Tá no projeto?” E eu nem sabia de nada de projeto, fiquei sabendo porque eu tava na Beija-Flor. E isso foi no governo da Núbia. Só existe eu em Magé fazendo o que eu faço. Você imagina se tivesse uns três? A competição e a concorrência é que alavancam a coisa. Eu sou diretor de carnaval do Tiririca, do Vila Nova, fiz Flor de Magé por sete anos, agora tô indo pro Butantã, todo mundo me chama. Aí não pode, o carnaval se atrofiou. A mão-de-obra aqui tá carente.

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Capacetes, carenagens para motos, para-choques, barcos, piscinas, batistérios, caixa-d’água,…para o artista, “tudo dá pra fazer”

O MANGUE – A gente sabe que você já ensinou e ensina muita gente que quer aprender. Mas sua atividade de Microempreendedor Individual te auxilia nisso? A prefeitura poderia ajudar de alguma forma?

Nélio Figueiredo – A prefeitura pode dar trabalho pra esses microempreendedores daqui, ajudar eles a crescer, isso que é importante. Se chamar a gente pra uma reunião, eu tenho ideias boas pra dar. Por exemplo: porque não fazem uma feira pros artesãos apresentarem seus trabalhos? Arruma um lugar! Na praça, naquele galpão em frente onde era a Fiat, faz uma exposição, chama os empresários, eu vou gerar emprego pros meus vizinhos. Isso é bom pra todo mundo. No carnaval eu pego trabalho do Rio e trago pra fazer aqui, como era bom se tivesse carnaval aqui. Em Cabo Frio, as escolas todas me chamam. Carnaval dá dinheiro se você for trabalhador, guerreiro, coisa que mageense é. Carnaval é fonte de renda. Eu já tirei limão galego do pé, aqui mesmo desse quintal quando eu era criança, comprei um litro de cachaça e fui pra rua vender no carnaval. Isso o que eu tô dizendo são coisas matutas, porque hoje em dia tem grandes carroças de cachorro-quente,,..é só fazer a propaganda. Carnaval cada um faz sua parte.

O MANGUE – A Rede Globo também foi sua paixão. Em quais produções você participou ali e qual te marcou mais?

NÉLIO FIGUEIREDO – Ali foi minha escola, devo muito à Globo e a Deus por ter me botado lá dentro. Trabalhei na fundação da extinta Emaq, pedi as contas, o dinheiro acabou rapidinho e voltei. Quando voltei já não tinha mais vaga. Então o rapaz me encaminhou a uma firma no Rio, aonde eu comecei a trabalhar com fibra de vidro, até então nunca tinha ouvido falar nisso. E de lá um dia fui fazer uma ficha através de uma agência e me falaram que era pra trabalhar numa emissora de TV. Então me levaram ali pra em frente a estação de Manguinhos, que era onde tinha a Globografia. Ainda não havia Projac. A própria Cidade Cenográfica, fomos nós que começamos a fazer, em Barra de Guaratiba. Na Globo eu participei do cenário de ‘O Tempo e o Vento’, ‘Grandes Sertões: Veredas’, ‘Tenda dos Milagres’, os programas do Chacrinha, do Jô Soares, novela de horário nobre, fazia bonecos pro carro atropelar, pra tomar tiro, esse tipo de coisa. E o que mais me marcou foi ter feito a Figueira de ‘O Tempo e o Vento’. Esses dias eu vi uma entrevista de um amigo que trabalhou comigo nesse projeto e ele falou o seguinte: “não é só Deus que faz a natureza, nós também fazemos”. E eu achei aquilo um absurdo. Apesar de eu não seguir nada que tá escrito, eu acredito em Deus, falo com Ele, e acho que Ele é que é o Grande Criador.

O MANGUE – A Rede Globo, e a grande mídia em geral, atravessam uma fase em que vêm sendo muito cobrada pelo público, especialmente no que tange aos noticiários. Você gosta do que vê na TV?

NÉLIO FIGUEIREDO – A Globo é um veículo de comunicação grande, forte. Eu sou feliz com a imprensa hoje. Claro que não existe perfeito sem defeito. Então tem muita coisa que eu não aprovo. Muitas cenas em horário impróprio, evito que minhas netas vejam, nem sei se estou certo ou errado, mas é minha opinião, também não censuro quem gosta. O país é livre, democrático, vê TV quem quer, quem não quer não vê, quebra a televisão, esconde, joga fora. Mas o papel investigativo na imprensa pra mim hoje é muito importante. Tenho mais confiança neles do que na Polícia, eles descobrem mais. São eles e os cachorros. A imprensa tem o papel dela que é lindo. Nota mil pra imprensa.

O MANGUE – Você também foi um dos precursores do caiaque aqui em Magé.

NÉLIO FIGUEIREDO – Saía eu e Pedro Paulo filho de Pedrinho da Loteria Esportiva, botava o caiaque na cabeça, e ia naquele rio Roncador atrás do Tênis Clube e saía dentro desses mangues. A gente via muita coisa e começamos a levar plaquinha, faixa verde e amarela, as pessoas achavam que a gente era até do meio ambiente “hi, o pessoal do Ibama tá aí”, “não pode tirar mais lenha do mangue não”. Daí o pessoal começou a me incentivar, e quisemos registrar uma associação de canoagem. Levei os documentos a uma pessoa que era presidente da Câmara na época, essa pessoa riu, fez pouco. Pra quem não sabe, canoagem é um esporte e é uma vigilância à Baía de Guanabara, porque a gente explorando isso, as pessoas ficam com medo de desmatar. E isso é também lazer, é passeio ecológico. Quer ver uma coisa? Em Luminar tem uma associação de canoagem, mas eles lá praticam outra modalidade, porque é entre as pedras, e aqui a nossa modalidade é o “caiaque surf”. Eu não sei como é praticar a modalidade deles, e eles também não sabem como é andar dentro do manguezal. Mas se aqui tivéssemos uma associação, a gente fazia esse intercâmbio. E até hoje acho que não existe associação de canoagem em Magé. Esses dias eu fui lá em Remanso, levei meu caiaque e vi uma placa lá dizendo que tem uma associação. Não sei quem tá mexendo lá, mas pelo que eu pude ver, a coisa tá muito concentrada. Uma associação não pode fazer uma sede e ficar lá só não. Ela tem que andar, né?

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A mata que é quintal da casa de Nélio abriga riquezas naturais e artísticas

O MANGUE – Você pensa em voltar a trabalhar no Rio?

NÉLIO FIGUEIREDO – Tudo que eu pedi a Deus, Ele me deu, hoje só agradeço. Fiz a promessa que ia voltar pra cá e construir minha família e hoje tenho três filhos e três netos. Há 15 anos atrás a minha esposa já tinha mandado eu escolher entre ela e o carnaval, porque quando chegava mês de agosto eu sumia do mapa. Minha vida era dentro desses morros, Morro do Alemão, Gamboa, graças a Deus onde chego sou querido. O que posso dizer é que dou muito valor a essa minha volta a Magé. Pra muitos é uma ida sem volta.

 O MANGUE – Você em outra ocasião chegou a citar a separação dos seus pais, quando você era criança, como uma coisa que te impulsionou a vencer na vida. 

NÉLIO FIGUEIREDO – É verdade, foi bem difícil. Mas o que me serviu eu absorvi. As coisas que não servem, eu faço vista grossa, até hoje.

Contato e portfólio do artista: https://www.facebook.com/neliodafibra?ref=ts&fref=ts

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