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Jovem é encaminhado à delegacia por vender sedas na rodoviária de Magé

Por essa o microempreendedor individual Nobru Moreira, 24 anos, não esperava. Há uma semana vendendo papeis de seda e outros produtos para fumantes em sua banquinha na rodoviária de Magé, ele foi parado na última terça-feira (13) por um policial civil, que encaminhou-o forçosamente à 65ª DP, dizendo que ele estava “fazendo apologia ao crime” e “cometendo um crime pior do que traficantes, ao incentivar pessoas a se drogarem”.

O fato foi presenciado com estranheza por quem passava pelo local. Muito contrariado, Nobru guardou suas coisas e acompanhou o senhor, que em nenhum momento se identificou como policial.

Um dos produtos comercializados por Nobru: piteira da marca brasileira Bem Bolado. Já vem picotada para facilitar a dobra

— Eu fui em respeito a ele, porque eu sabia que ele é policial, ele é muito conhecido em Magé justamente por ser policial. Mas em nenhum momento ele se identificou. Apenas dizia que eu estava detido. Eu achei até engraçado porque ele sempre para em um determinado bar pra beber cerveja, e nesse bar vende os mesmos produtos que eu vendo, só que ele nunca fez isso com o dono do bar. Eu deixei que ele pensasse que estava lidando com algum leigo, pra eu não perder a minha razão — explica o rapaz.

“Transferido para Caxias”

Já na delegacia, Nobru conta que o policial deixou-o sentado em uma cadeira, enquanto ele entrou em uma das salas, sem falar com o delegado ou com outro agente que estivesse por perto, e de lá retornou em cerca de dois minutos.

— Aí foi quando ele me disse que a ordem era me transferir para Caxias, um lugar muito perigoso, nas palavras dele, mas que só haveria viatura às 23h, e isso eram 16h. Então, pra que eu não ficasse esperando por todo esse tempo, ele disse que iria quebrar meu galho e me liberar.

A cultura do fumo artesanal mantém aceso um forte mercado, legal, no Brasil e no mundo. O papel de seda é recomendado não só pelo realce ao sabor da tragada, mas justamente porque isso se deve ao fato de ele dispensar uma série de processos químicos em sua fabricação

Nobru ainda esclarece que possui todas as notas fiscais dos produtos que vende.

— Ele queria só me envergonhar, ou quem sabe criar dificuldade para vender facilidade, como opinou alguém que presenciou tudo. Só que mesmo me liberando ele não deixou eu montar minha banca novamente aquele dia. Eu fui pra casa e retornei hoje (14) normalmente. E tenho meu protocolo da fiscalização da Prefeitura para trabalhar, mas nem isso ele me pediu, foi um caso típico mesmo de abuso de autoridade e que com certeza não deve ter acontecido só comigo — avalia Nobru.

Desta vez Nobru não prefere citar publicamente o nome do agente policial que o desrespeitou em seu direito de trabalhar. Apurando o caso, a reportagem esteve na 65ª DP na noite de hoje (15), mas os policias em plantão disseram que não tomaram conhecimento do caso, uma vez que o mesmo não se deu durante o plantão deles. Eles afirmaram, no entanto, que a Polícia Civil, na pessoa do delegado titular da 65ª DP, Ângelo Lages (que não se encontrava no momento) tem interesse em que uma investigação seja aberta. Para isso a denúncia deve ser feita formalmente, ainda que em anonimato, como propaga o folheto abaixo, divulgado na própria repartição policial.

 

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