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MADRUGADA DE TERROR: TRÊS FUNCIONÁRIOS ESFAQUEADOS NO HOSPITAL MUNICIPAL DE MAGÉ

Por volta de uma e vinte da madrugada de hoje, a professora Luiza Duarte de Melo, de 53 anos, moradora do Jardim Bela Floresta, adentrou ao Hospital Municipal de Magé (HMM), descalça, colocou sua bolsa em uma das cadeiras da recepção e puxou uma faca ‘dente de sabre’, dizendo que ia fazer “igual aos Jogos Mortais”, para “se vingar” da pessoa que a tinha “furado”. Ela estava à procura de uma técnica de enfermagem que havia lhe aplicado uma injeção na tarde de sábado, quando deu entrada aparentemente com um quadro de surto psicótico. Como não achou quem queria, deixou três funcionários feridos. Após o susto, todos passam bem.

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A faca usada no crime, em foto tirada na delegacia. Arma semelhante as que são usadas nas Forças Armadas, mas com o emblema de uma caveira

Agitando a faca pelo ar, Luiza se dirigiu por um dos corredores onde surpreendeu o maqueiro Carlos Henrique Leopoldino com um golpe no rosto e outro no braço.

— Eu estava sentado, quando a vi me levantei e falei ‘calma, senhora, pra que essa faca?’, e coloquei meu celular no bolso. Nisso ela já ia me atacando no pescoço, eu desvencilhei e a facada pegou no meu rosto — conta Carlos, que precisou receber quatro pontos no braço esquerdo e um curativo na face.

Na sequência, completamente transtornada, Luiza foi até a sala de Raio-X e ficou esmurrando a porta, até que a agente administrativo Jacqueline de Oliveira Gonçalves, que passava na hora, entrou em luta corporal com ela, conseguindo jogá-la ao chão.

— Ela caiu com a faca na mão e se levantou rapidamente. Me feriu nas duas mãos, no braço e nas costas quando eu fui fechar uma porta — relata a agente, com a camisa rasgada e ensanguentada.

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O chão do HMM

Após isto, Luiza voltou à recepção, onde o corre-corre de funcionários e dos poucos pacientes que havia, foi geral. As imagens captadas pela câmera de segurança mostram um acadêmico pulando a mureta e ganhando a rua; e uma mãe, uma criança e uma grávida correndo para procurar abrigo. Foi quando o supervisor Paulo Henrique Barroso Alves, ao ouvir os gritos, foi verificar o que estava acontecendo, e acabou encurralado na ala de Acolhimento. Ele tentou se defender usando um aparelho de pressão, mas foi atingido com um golpe no peito.

— Ela mandava eu ajoelhar: ‘Ajoelha, ajoelha, que eu vou te matar’ — conta Paulinho, que há cerca de três anos foi vítima de agressão de um paciente, que entrou pelos fundos do HMM com um pedaço de madeira com um prego na ponta, o derrubou e pisou em sua cabeça.

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Foram segundos que pareceram uma eternidade, os que Paulinho ficou sob a mira da faca. Mesmo ferido, ele saiu em ajuda aos seus amigos. Já um acadêmico, pouco antes, escapou pulando esta mureta

Desta vez Paulinho foi socorrido pelo porteiro Walace, que ameaçou Luiza com uma placa de PVC. Nesse momento, uma recepcionista vai buscar ajuda policial, mas Luiza a persegue até a porta da 65ª DP, ainda com a faca. Como era madrugada, a delegacia estava fechada, e os policiais demoraram um pouco para abrir a porta, tempo suficiente para que um policial militar intervisse. Primeiro ele deu um tiro pra cima, na tentativa de assustar Luiza, mas ela avançou em sua direção, e ele não teve outra alternativa a não ser lhe dar um tiro no pé. Luiza foi internada no HMM e encontra-se presa por Tentativa de Homicídio, aguardando transferência para um presidio no Rio.

Órgãos municipais não possuem histórico da agressora 

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Esta é a situação em que se encontra o Ambulatório Carlos Ullmann, onde pacientes psquiátricos fazem tratamento. Tanto ali quanto nos Caps, informaram não constar o nome de Luiza Duarte de Melo na relação

Segundo um filho de Luiza, ela era paciente psiquiátrica do extinto Same – Sociedade de Assistência Médica Especializada. O rapaz, que assumiu a propriedade da faca, não sabe dizer aonde a mãe realiza seu tratamento, mas o fato é que, conforme levantado pela reportagem, o nome de Luiza não consta em nenhum dos dois Centros de Atendimento Psicossocial (Caps) da Prefeitura, nem no Ambulatório Carlos Ullmann, lugares em que pacientes de tal tipo são atendidos em Magé. O filho, de nome Emanuel, disse que ela estava a um tempo sem tomar a medicação, que foi trocada recentemente. Disse também que foi a primeira vez que a mãe teve uma reação violenta. No sábado, uma irmã levou Luiza ao hospital pois ela estava muito agitada e falando coisas desconexas.  A técnica de enfermagem que a atendeu, não quis dar detalhes. Mas um funcionário diz:

— Ela foi atendida no sábado de tarde, depois voltou de noite e dormiu por aqui nas dependências do hospital. Quando foi hoje voltou e fez o que fez.

Hospital de Magé não tem segurança: “Estamos entregues à própria sorte”

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Marilene analisa as imagens da câmera e conta que enviou mensagem ao prefeito Nestor Vidal sobre o ocorrido, mas não obteve nenhum tipo de retorno

Ouvida pela reportagem, a diretora do HMM, Marilene Formiga, demonstra estar extremamente revoltada com a falta de segurança com que os funcionários e pacientes têm que conviver. Entre os cerca de 260 profissionais da unidade, não se encontra nem um segurança sequer.

— Eu já fiz ofícios para a Prefeitura solicitando segurança, mas nós nunca fomos atendidos. A Polícia só sabe trazer preso para nós cuidarmos. Uma vez nos trouxeram um preso que havia engolido 170 cápsulas de cocaína e foram embora. Nós sabemos que a função de um guarda é zelar pelo patrimônio, mas se tem um profissional deste, a presença dele intimida e subentende-se que ele estará mais preparado pra agir do que nós. A Polícia também, mesmo se houver, sabemos que ela estará aqui só pra fazer as ocorrências, mas saberá agir melhor que nós em um caso de emergência como esse. Do jeito que está, estamos vulneráveis, entregues à própria sorte — desabafa Marilene.

65ª DP não tem Central de Flagrantes: “Falta Concurso Público”

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Um PM saiu da guarita do Batalhão para socorrer a recepcionista do Hospital, que foi pedir ajuda na Delegacia, que estava fechada

Como a 65ª DP não está relacionada, na região, como Central de Flagrantes, a solução é registrar as ocorrências dos fins de semana nas delegacias de outras localidades. Pelo sistema de rodízio, a vez estava com a 62ª DP, em Imbariê. Sendo assim, o delegado Ivan Alexandre fez questão de vir até Magé e posteriormente levou as testemunhas para ouvi-las em Imbariê. Um inspetor da 65ª assim justificou à reportagem a ausência de Magé nos também chamados “plantão de área”:

— Para ser uma Central tem que ter delegados e policiais, ou seja, falta concurso público.

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