Colabore com reportagens exclusivas, sendo um Sócio-Patrocinador do site O MANGUE. Escolha sua opção de Assinatura On-Line, ou, se preferir, deposite qualquer valor em nome de Bruno de Almeida Silva, Agência 0183, Conta 121454-1, Caixa Econômica Federal. O Jornalismo Local e Independente agradece!

“CNA GEEK”: Curso promove evento pra nerd nenhum botar defeito

Teve premiação também para os melhores cosplay

Basicamente, com a popularização das novas tecnologias relacionadas a diversas áreas do conhecimento e do entretenimento, para alguns especialistas a tendência é que aquela figura antissocial e solitária que nos anos 80 e 90 você conhecia como nerd, esteja hoje se reinventando. Mais do que isso: olhe a sua volta e verás que, em um mundo globalizado, a cultura geek tem atraído pessoas de diversas tribos e influenciado setores e comportamentos, com um estilo bem autoral. Foi daí que o curso de inglês CNA, em Magé, ao querer realizar um evento voltado para os jovens, não pensou duas vezes. Em parceria com o Colégio CEM, promoveu, no dia 26 de novembro, o primeiro CNA Geek.

A supervisora Elaine (segunda da esquerda pra direita), com professores do curso, em exibição de filmes e séries: o que atrai os jovens deve atrair também a maneira de ensinar

– A gente quis dar voz ao orgulho nerd. E aproveitamos pra fazer toda essa interação com o inglês, pegamos as características de cada professor em relação ao que gosta e trouxemos pros stands. A cultura geek define tudo que está envolvido dentro do mundo nerd. De uma maneira bem simplista, os termos são sinônimos e nem há tradução definida, são gírias americanas. Mas antes, ser chamado de nerd, era algo que não soava legal, tinha todo um estereótipo, um preconceito. E hoje o geek é legal – explica a supervisora Elaine Vidal.

Juliara é uma cosplay que atua na região (ela mora em Guapimirim), e há dois anos possui um canal no Youtube sobre séries, filmes, livros,…ao microfone ela participou de uma das mesas que debateram o assunto

Sendo assim, não faltaram cosplayers (pessoas que se fantasiam de personagens de mangás, de animes, etc), youtubers (pessoas que possuem um canal no Youtube, geralmente sobre “nerdices”), exibição de filmes, atividades voltadas para o mundo da inteligência e da informática, games (do tradicional arcade aos boards games e RPG), HQs, quizz sobre sua série favorita, ou até mesmo dança (sim, a nova versão nerd tem perdido muito da timidez e ganhado ritmo). Por exemplo, conta o biólogo Willian Jefersson, frequentador de baladas geek no Rio de Janeiro, e fã número um do gênero K-POP.

K-POP

Não conhece a música K-POP? Ela ganhou o mundo com o cantor sul-coreano Psy, o da ‘Gangnam Style’, em 2012, e a partir daí fez a cabeça de geeks e não-geeks

– A maneira mais fácil de se conhecer essas músicas é através do Youtube. Elas são de origem sul-coreana, e a Coreia sabe vender seus artistas. Esses grupos são muito engajados no marketing, na internet, primeiro eles mostram o dia-a-dia deles, ensaiando, encontrando com os fãs, saindo pra comer, e isso gera uma conexão maior com as pessoas, você se sente mais íntimo. A coisa explodiu bizarramente nos últimos cinco ou seis anos, está na cultura jovem e adolescente no mundo. No Rio você acha balada pra maior de 18 anos e até matinê pra família, pra criança, tem campeonatos de covers dos grupos. Aqui na nossa região mesmo tem gente que participa de grupos de K-POP, com músicas próprias. E a dança não tem mistério, tem uma pegada de Backstreet Boys,… – fala Willian, demonstrando outra característica de um geek: se especializar em conhecer a fundo e saber explicar muito bem tudo que aquilo de que gosta.

Imperial Comics e a Força Especial

Nilton e Tilio, entre a coordenadora e idealizadora do evento, Jamille Cozzolino 

Nilton Siqueira, roteirista, e Adriano Tilio, desenhista, representaram a cidade de Petrópolis. Ao tomarem conhecimento do encontro, fizeram questão de participar e assim contribuíram com suas exposições da IMP – Imperial Comics, cujo carro-chefe é a Força Especial, um grupo de heróis desenvolvidos por eles, que em suas aventuras de ficção emitem rajadas de mensagens sociais. Em três anos de parceria, a dupla assina a criação de mais de duzentos e sessenta personagens, e as histórias até agora podem ser achadas em plataformas on-line.

– Nós falamos de inclusão, falamos de um universo que dialoga constantemente com a cultura brasileira. Você não vê por exemplo um super-herói protagonista totalmente deficiente, como nós temos. Temos também uma gang de Clóvis, que é o popular bate-bola do carnaval. Temos histórias que envolvem o mundo do futebol, com toda corrupção e tudo mais que tem direito. Envolvemos também a música, temos um herói que se chama Carro Preto em homenagem ao Fuscão Preto – conta Nilton, que também é professor de História.

– Nossos heróis buscam as habilidades nas suas próprias deficiências, a gente tira esse olhar negativo sobre isso e mostra o poder da superação. Eu destacaria o Thronos Rodan, que é um cadeirante que joga basquete, e ele tem uma bola que o leva pra qualquer lugar, resolvendo o problema da inacessibilidade – fala Tilio.

RPG

O estudante de cinema Diego Bernard faz do RPG uma profissão e conta com a ajuda de um estúdio virtual de criação, onde ele e sua equipe criam os livros em parcerias com editoras

Outro que veio de longe (São Gonçalo), foi Diego Bernard, com seus tabuleiros, dados e livros de RPG (Role-Playing Game). Pra ele, a satisfação de estar em eventos como esse supera qualquer coisa.

– É sempre uma turminha muito legal, e é bom porque você difunde. Noventa por cento das pessoas que jogaram hoje aqui na minha mesa não conheciam o RPG. É um jogo onde um grupo de amigos se reúne pra contar histórias. Essas podem ser de terror, ação, suspense, qualquer tipo. Você tem a figura de um narrador, e as outras pessoas vão vivenciar aquele enredo. Isso estimula a criatividade, o companheirismo, o pensamento rápido – explica Diego Bernard, estudante de cinema e que faz do RPG uma profissão, através de um estúdio virtual de criação, onde ele e sua equipe criam os livros em parcerias de editoras.

Professores levaram para o evento aquilo que já costumam trabalhar em sala de aula: atualidade e interatividade
O Hogwarts Express, o ambiente do Harry Porter. Ali você pôde saber, dentre outras coisas, se você é um bruxo, e qual a sua linhagem 

DEIXE UMA RESPOSTA