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MAGÉ TEM AMARILDO: EX-MORADOR DE RUA RECICLA A VIDA E VIRA ARTESÃO

Raimundo Amarildo, 49 anos, era lavrador em Vesposiano, Minas Gerais. Quando sua mãe faleceu, há dez anos, caiu na estrada (“lugar onde se enterra pai e mãe é o suficiente”, diz). Parou em Magé, onde catava latinhas pra vender no ferro-velho. Chegou a passar seis meses no abrigo do bairro Saco, mas segundo a política municipal, após esse período o abrigado deve retornar às ruas, e foi o que aconteceu.

Amarildo dormia na praça do Visconde e pegava água do chafariz da Prefeitura pra tomar banho em um terreno baldio da Simão da Motta. Até que um rapaz chamado Júnior, cunhado do Ricardo do Açai, lhe ofereceu uma casa para morar, na Vila Maia, há pouco mais de dois meses. Amarildo, que já descobrira seu dom para o artesanato na época de andarilho, quando na rodoviária de Três Rios viu uma senhora fazendo uma flor de papel, (“eu achei que eu pudesse fazer também, mas como não tinha papel fiz de latinha mesmo”), passou a produzir com mais vontade e um novo sorriso não lhe sai mais do rosto.

— O Júnior só me pediu uma coisa: que eu fosse pra igreja, e é o que eu tenho feito e não me arrependo. Gostei de Magé, fiz uma inscrição pro ‘Minha Casa, Minha Vida’ na Maria Conga e estou aguardando me chamarem — tem esperança.

Foto: O artista faz motocicletas, flores, e o que lhe vier na telha. Cobra em média R$30, mas lamenta que, apesar de seu amor por Magé, aqui o público não valoriza tanto esse tipo de arte: “aqui não dá, pra viver disso eu teria que ir pra Copacabana, Leblon ou Lapa”

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