Colabore com reportagens exclusivas, sendo um Sócio-Patrocinador do site O MANGUE. Escolha sua opção de Assinatura On-Line, ou, se preferir, deposite qualquer valor em nome de Bruno de Almeida Silva, Agência 0183, Conta 121454-1, Caixa Econômica Federal. O Jornalismo Local e Independente agradece!

Nova Marília: quatro mortes em chacina e uma em acidente, no último domingo

O local do acidente e dos homicídios foram próximos entre si

O dia 18 de junho de 2017, último domingo, está marcado como a data em que o bairro de Nova Marília, em Magé, presenciou cinco sangrentas mortes, bem de perto. A primeira em decorrência de um acidente automobilístico, e as demais por execuções com arma de fogo.

Por volta das 12h, um Siena Taxi e um Fusca colidiram na altura do ‘antigo Matadouro’, na estrada Adam Blummer, e a motorista do Fusca, Valdea Maria Chagas Costa, de 69 anos, chegou a ser socorrida pelo helicóptero do Corpo de Bombeiros e levada ao Hospital Miguel Couto, no Leblon, dando entrada em “estado gravíssimo”, segundo a Assessoria de Comunicação da Prefeitura do Rio de Janeiro, e vindo a óbito por volta das 19h após parada cardíaca na mesa de operações, segundo familiares. Ela tinha fraturas múltiplas.

Moradora de Jardim Santo Antônio, entusiasta de projetos para a Terceira Idade, professora aposentada de Educação Física, dona Val fez parte da equipe de atletismo da Seleção Brasileira e do Vasco da Gama como corredora, e conquistou vários títulos, entre eles o de campeã sulamericana em 1974. Com o carro, no entanto, ela não corria, só andava devagar, garante a família. Seu corpo está sendo velado na capela N.S. da Piedade e o sepultamento está marcado para as 14h de amanhã (20) no cemitério número 2. Na hora do acidente ela estava com Belinha, uma cachorrinha que nada sofreu, a não ser, claro, a perda da dona
Dona Val estava indo ao centro de Magé, provavelmente fazer compras, de acordo com familiares

— Tinha uma Zafira na minha frente toda filmada, o que atrapalhou bastante minha visão, mas mesmo assim eu pus o rosto para o corredor e vi que vinham dois carros. Esperei que eles passassem e fui ultrapassar a Zafira. Não vi o Fusca. Quando vi foi o tempo de dar um toque no freio, mas meu carro perdeu a direção e foi de encontro ao Fusca. E ela estava vindo muito devagar, não teve tempo de sair, foi uma colisão lateral — esclarece o motorista do Siena, Renato Valente, que no momento não atuava como taxista, e sim estava indo participar, como diretor esportivo do time EMAC Futebol Clube, de um campeonato na Vila Inca. Em telefonema à reportagem, ele aproveita para comunicar que se colocou à disposição para custear todo o prejuízo financeiro do acidente, inclusive as despesas funerárias, no entanto a família de Valdea agradeceu mas recusou a oferta.

Renato ia em sentido ‘Jardim Esmeralda’

Com Renato estava, no banco carona, outro diretor de esporte do time, Moacir Paulino de Farias, 61 anos. Ele foi levado pela ambulância do Corpo de Bombeiros ao Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, em Saracuruna, com preocupações na coluna, já anteriormente lesionada. A Assessoria de Imprensa do Governo do Rio de Janeiro informou que o estado de saúde de Moacir é considerado “estável”.

 

Execuções e “Bonde do Facão”

O
Três dos quatro jovens foram mortos em frente ao número 650, da rua que margeia a estrada em que houve o acidente mais cedo. Após a perícia, moradores jogaram areia no chão de sangue

Já na rua Edalmo Alves da Silva, lugar também conhecido como “canal do Matadouro”, por volta das 21h, três jovens foram executados a queima-roupa, com cerca de vinte tiros, muitos nas cabeças. Uma quarta vítima foi morta da mesma forma, praticamente no mesmo horário, na rua Gustavo Gomes Pinto Ferraz, em frente a um espaço que vem funcionando como espécie de ‘casa de shows’, onde testemunhas contam que todas as quatro vítimas foram vistas juntas um pouco mais cedo.

São as vítimas: Natan da Silva Santos Pires, de 15 anos; Gesse da Silva Ferreira, de 36; Dayvid Alves Lucas Lopes, de idade não informada; e o quarto jovem não teve nem o nome nem a idade divulgados pela Assessoria de Comunicação (Ascom) da Polícia Civil. Respostas a cerca do calibre da arma usada nos crimes também foram ignoradas.

O caso está sendo investigado pela Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense. A Ascom confirma que um Corolla, de placa não informada, foi periciado no local e provavelmente estava sendo usado pelas vítimas. Sobre as especulações que apontam as vítimas como sendo participantes do chamado “Bonde do Facão”, que estaria ameaçando moradores da localidade com facões para roubar, a Polícia Civil também não emitiu respostas.

O outro rapaz foi assassinado em frente a esta “casa de shows” (ou simplesmente um bar que eventualmente toca forró e pagode), na rua Gustavo Gomes Pinto Ferraz. A suspeita que sobressai, é de que as outras três vítimas foram retiradas deste local para serem postas no chão e mortas em um local mais ermo e escuro

DEIXE UMA RESPOSTA