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O CAJON BRASILEIRO DE ‘POETA’ TEM SEIS LADOS E TIMBRES PRÓPRIOS

O amor entre um brasileiro e uma argentina, que se conheceram via internet, acabou contribuindo para a modernização de um instrumento musical percussivo criado no Peru por escravos africanos, e que vem se popularizando entre músicos profissionais e amadores pelo mundo: o cajon (lê-se carrón).

Em 2016, o marceneiro e músico Euclides Silva, morador de Magé, na Baixada Fluminense, conheceu Natália Gentile em um site de relacionamentos. Largou tudo por aqui e foi para a a região da Patagônia viver essa paixão. Lá, trabalhou em uma marcenaria na cidade de Neuquén, e nas horas vagas confeccionava cajons diferentes dos convencionais, personalizados, em miniaturas, como enfeites. Foi seu cunhado, o conceituado baterista e percussionista Nacho Gentile, que lhe deu toques decisivos para o sucesso de sua original ideia.

Os cajons de Euclides podem conter, internamente, esteiras (as mesmas esteiras usadas em caixas de bateria), ideais para músicas flamencas (portanto, que seguem a escola espanhola, mais aceita no Rio de Janeiro); ou podem não conter esteiras (nesse caso, o instrumento apresenta um som mais ‘seco’), o que é comumente mais usado na Argentina, no Peru, e também na Bahia. As peças podem ser personalizadas e feitas sob encomenda

— Na Argentina eles usam muita percussão, e esse meu cunhado é um ícone, ele é muito famoso lá. Mas o fato é que não havia preocupação sonora com esses cajons que eu fabricava, até eu levá-los pra ele testar. Primeiro eu usava MDF de quinze milímetros, depois de dez, enfim, fui testando e buscando fórmulas. Mas nisso as coisas foram ficando difíceis lá na Argentina, então eu voltei para cá esse ano e continuei desenvolvendo esse projeto aqui na minha oficina — explica Euclides, também conhecido como Poeta, que como cantor e compositor tem lançado o CD ‘Poeta Soft Rock’, álbum gravado de forma independente em 2007.

A singularidade dos cajons de Poeta é basicamente uma questão geométrica; é isso que possibilita que o som seja diferente dos chamados cajons tradicionais. Enquanto os outros têm a forma de um trapézio, o dele é um losango, ou seja, tem seis lados. Isso faz com que o timbre agudo seja mais acentuado, além de possibilitar o surgimento de um timbre médio (intermediário entre o grave e o agudo) – o que nos cajons tradicionais não existe.

O trabalho é inteiramente artesanal. Euclides agradece ao músico argentino Nacho Gentile, por ter lhe ajudado a achar a sonoridade ideal para o seu cajon ‘six sides’; “Esse cara é tão fera, que recentemente ele foi escolhido para acompanhar a banda argentina Puel kona no show de abertura do Rogers Waters em Buenos Aires”,conta  

Olkafis: Brown e Goffi provam e aprovam

Com a produção aumentando, veio o patenteamento da marca: Olkafis (“eu sonhei com esse nome, fiz uma pesquisa e vi que significa ‘o humilde’, não estou certo agora em qual idioma”, conta Poeta). Agora a fase é de namoro com a Gope, empresa brasileira referência em instrumentos de percussão, para a inserção em grande escala no mercado. Mas enquanto a parceria não chega, Poeta se desdobra participando de exposições e deixando sua invenção em lojas especializadas para consignação.

— Eu tenho amigos em Salvador, através deles eu conheci o ‘Pracatum’, que é o projeto social do Carlinhos Brown lá no Candeal, fui lá e deixei um cajon de presente pra ele. Na saída até o encontrei rapidamente e comentei sobre o assunto. Pra minha surpresa, um dia abro meu celular e vejo um vídeo que ele gentilmente gravou pra me agradecer e divulgar meu trabalho — orgulha-se ‘o pai da criança’.

Para o artesão, que também é pedreiro, confeccionar esses instrumentos chega a ser uma missão sagrada, já que “eu aprendi que a música é a língua que Deus usa para falar com a gente”, falou o Poeta

Outro grande da música também gostou e já abençoou: Guto Goffi, o lendário baterista da banda Barão Vermelho, é dono do ‘Maracatu’, uma loja de instrumentos musicais e também escola de música, no bairro carioca das Laranjeiras.

— O Guto foi muito solícito, elogiou, gravou um vídeo tocando, deixou meu instrumento lá pra vender, e disse que se não conseguir vender, ele mesmo vai comprar. Mas na mesma hora já tinha uns gringos lá encantados, o cara realmente é uma referência, e eu só tenho a agradecer.

Segue a divulgação do trabalho e o contato de Euclides Silva – artista e artesão

 

 

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