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“O MEDIADOR” – ACLAMADO PELA GUARDA, WAGNER ROSA NÃO SABE SE CONTINUARÁ NA SECRETARIA DE SEGURANÇA DE MAGÉ

Quando a guarda municipal de Magé se vê em apuros na hora de lutar por seus direitos, já sabe a quem recorrer. Considerado bom ouvinte, de perfil apaziguador e sorriso fácil, o coordenador de projetos da Secretaria de Segurança Municipal de Magé, Wagner Rosa, que também é comissário da Policial Civil, tem feito o possível nesse meio-de-campo entre comando e comandados. Responsável pelo projeto federal “Crack – É possível Vencer” acontecer em Magé, ele foi surpreendido pela reportagem de O Mangue enquanto varria o chão de uma das unidades de ensino onde acontecia o curso, e não se esquivou de nenhuma pergunta.

O MANGUE — Como a Secretaria de Segurança reagiu às críticas dos guardas municipais, que há algumas semanas organizaram protestos em frente a Prefeitura por melhorias nas condições de trabalho, e até reuniram a imprensa para denunciar supostas irregularidades?

WAGNER ROSA Pra tudo tem que haver diálogo. Primeiro a gente recebe as informações, a gente tenta ingerir sobre essas informações, e vai buscar as soluções. As ações apresentadas poderiam ter sido colocadas de maneira diferente. Houve o primeiro entendimento quando o secretário, Venâncio, explicou para a guarda que ele já havia solicitado através de comunicações internas as dificuldades sobre as viaturas, que eram visíveis. Elas foram doadas pelo governo do estado há cerca de 10 anos e realmente estão em estado de utilização precário. O que a gente tava fazendo pra poder colocá-las pra rodar é fazer a manutenção prévia, de primeiro escalão. A medida em que não havia mais condições, elas eram retiradas de circulação e fazíamos o provimento de compra de peças. Com isso ficou apenas quatro viaturas rodando em estado de conservação médio. Temos hoje duas para supervisão e duas para o amparo. Uma delas faz a ronda em todas as escolas municipais. Há um projeto na secretaria, de efetivar a ronda escolar. Vai ser levado para as escolas a orientação pedagógica. Nós temos guardas formados em pedagogia, outros que estão fazendo o curso e se aprimorando. A minha metodologia dentro da guarda é exatamente poder capacitar, trazer cursos para que eles se adequem e coloquem seus conhecimentos a serviço da comunidade, essa é nossa filosofia.

O MANGUE — Mas voltando às viaturas….

WAGNER ROSA Sim. Em cima disso, o secretário mostrou aos guardas que ele já havia solicitado a compra urgente de outras viaturas. Mas nesse interstício, houve a exposição da situação, que é notória. Assiste razão aos guardas? Assiste. Porque a gente se adequa às condições, mas quer sempre o melhor. É importante você se preocupar com o aspecto visual e da sua própria segurança pessoal e das pessoas que estão na sua proximidade. Então o prefeito autorizou a compra imediata de viaturas. Para esse mês já foi feito a checagem e o pedido de compra de três viaturas novas da Volkswagen. Já foi aberto o processo de empenho e acredito que no prazo de quinze dias já estarão chegando essas viaturas.

O MANGUE — Houve outros assuntos em pauta, que parece que também já estão sendo resolvidos. Como ficou a escala de trabalho e a reposição salarial, por exemplo?

WAGNER ROSA O próprio secretário sentou com a comissão da guarda e chegaram ao entendimento de que é possível fazer essa escala que eles estão pedindo, desde que haja uma cooperação mútua. E já foi posto em prática no mês passado essa escala. A maioria dos pedidos que estavam sendo efetuados, já estavam sendo providenciados. Houve apenas um atropelo de ideias, um desencontro de informações. A única coisa que a guarda não consegue nesse momento é ajuda no vale-transporte e alimentação, porque isso nenhum servidor do município possui. Há uma falha, não do gestor, mas na adequação da lei, para transmitir esses benefícios. O benefício é viável, é de direito, mas pelo que eu soube nunca houve esse pagamento, e a intenção do gestor é fazer. Mas carece de um estudo de impacto na folha anual e da aprovação do Plano Gestor. Nós chegamos à secretaria cheio de ideais, mas temos que entender que a máquina municipal depende de outros segmentos. Então estamos aguardando. Quanto a reposição salarial, eu não participei. O que sei é que os agentes de trânsito estavam pedindo, e isso foi levado ao chefe do executivo também.

O MANGUE — Os guardas também falaram que o secretário telefonou ao responsável por uma unidade de saúde em Mauá, pedindo para que ele não os deixasse almoçar lá. Houve isso?

WAGNER ROSA Não, isso não é verídico não. Pelo contrário. Quem conhece o secretário Sérgio Venâncio sabe do coração e da boa vontade que ele tem em fazer acontecer. Ele mora em Magé e quer ver o crescimento de Magé. Fazer o legado, deixar o município em boas condições, é o desejo dele. Hoje ele é secretário, amanhã vai ser munícipe. Ele jamais proibiria alguém de se alimentar, e a gestão de outras secretarias não pertence a ele. Ele gere sim, a secretaria dele. E o que for melhor para a Secretaria de Segurança, ele vai procurar atender.

O MANGUE — Alguns guardas também mencionaram aquisições registradas no Boletim Informativo Oficial, mas que eles nunca viram. Os bolsões, por exemplo, eles mesmo tiveram que comprar.

WAGNER ROSA Nunca tive conhecimento desse tipo de menção, acredito que sejam inverídicas. Porque o material que foi distribuído para a guarda foi todo tirado da própria estrutura da guarda. Foi recebido o material, o fardamento, e foi entregue através de recibo pessoal por eles. Esse tipo de colocação que você fez agora eu desconheço, não posso falar a respeito.

O MANGUE — E sobre o alojamento? Eles falaram que não tem lugar pra trocar de roupa, tomar banho…

WAGNER ROSA É, foi outra coisa que foi comentada sem muito nexo. Porque a sede da guarda hoje fica no bairro Limeira, no sexto distrito. Lá tem banheiro, cozinha, alojamento. Acho que o que alguns quiseram colocar, foi que no centro de Magé não tem um lugar como esse, um refeitório, coisa assim. E realmente não tem. A assunção do serviço deveria ser na Limeira, mas a concessão do coordenador da guarda é daqueles que moram aqui próximo poderem assumir o serviço diretamente no local onde eles servem. Por exemplo, quem mora em Itaboraí, vem direto pra Magé e pode assumir o serviço aqui. Por isso eles podem dizer que não tem local de trocar de roupa, mas foi uma opção que eles mesmo fizeram. Talvez esse seja o mal entendido que houve na colocação, presumo eu.

O MANGUE — Em relação às questões de trânsito, vocês têm ciência do descontentamento de boa parte da população, que se queixa por ter que deixar o carro estacionado cada vez em lugares mais ermos e com isso se tornam vítimas de assaltos e roubos? É comum se ouvir crítica também sobre a ciclofaixa, já que o centro tanto de Magé quanto de Piabetá são lugares estreitos.

WAGNER ROSA Quando você mexe com estruturação, você tem que ver o dinamismo disso. A Prefeitura hoje se preocupa com a mobilização dentro da cidade. Foram feitos estudos quanto a isso, vê-se que o número de bicicletas dentro do município é muito grande, os países mais desenvolvidos hoje trabalham com ciclofaixas, ciclovias, permitindo uma mobilidade maior. Por outro lado você vê menos poluição, você promove a prática das atividades físicas, enfim, um montante de vertentes diferenciados. Você não pode agradar a todo mundo, mas a política de mobilidade exige que se tome atitudes desse gênero. No tocante aos carros que trafegam nas ciclofaixas, os agentes de trânsito fazem a orientação. Se novamente ocorrer a infração, eles são sancionados. Caso encontre um veículo estacionado em local proibido, não só nas ciclofaixas mas nas calçadas, esse veículo poderá ser removido através de reboque. Hoje a Prefeitura está fazendo a aquisição, através de contratação, de um sistema de reboques. Deverá atuar seis reboques.

O MANGUE — Qual é a empresa?

WAGNER ROSA Ainda não sei, porque isso ocorreu através de licitação.

O MANGUE — Há rumores de que você seria um dos sócios

WAGNER ROSA Eu? Muito mal tenho uma bicicleta e um carro (risos). Não tenho nenhuma gestão sobre isso, não conheço, não tenho ideia. Hoje tem uma pessoa designada a ser o coordenador dos depósitos públicos, que não sou eu também.

O MANGUE — É o Alan?

WAGNER ROSA É o Alan. Ele está aí vai pra dois meses, fazendo a estruturação dos depósitos e tá vendo essa parte de gestão de reboques lá na CPL, que é a Comissão Permanente de Licitação, onde fazem os pregões, os empenhos…E sobre isso não sei mesmo te informar. Como te falei, sou responsável pela parte de projetos e capacitação da Segurança Pública. Estou totalmente imbuído e entregue de corpo e alma ao curso “Crack é Possível Vencer”.

O MANGUE — Você disse que foram feitos estudos sobre para a reestruturação do trânsito da cidade. Você participou desses estudos?

WAGNER ROSA Não, eu cheguei aqui no dia 13 de agosto de 2013, cedido pelo estado, e já existia o projeto. Estava sendo implementada a ciclofaixa, essa foi uma ideia pessoal do prefeito. Ele é uma pessoa cheia de ideais, que recebe as sugestões de uma maneira muito plausível, analisa, faz as convicções, consulta as pessoas que tem que consultar, vê as situações, ordena de maneira cordial, pede opiniões, avalia, e aí sim ele executa. Se for em prol de uma maioria, ele toca o projeto adiante. Admiro muito isso nele, apesar de conhecê-lo pouco. É uma pessoa com objetivos.

O MANGUE — Em termos de reboque, o pessoal está muito revoltado. Por exemplo, dia desses em frente ao supermercado Opa, levaram quatro carros de uma vez, mas nos outros dias a ação não prosseguiu, estavam vários carros estacionados lá. Isso cria confusão na cabeça das pessoas. Afinal, pode ou não pode? Quem tem seu carro levado acaba achando que se trata de uma perseguição pessoal.

WAGNER ROSA Com certeza, mas isso vai deixar de acontecer, porque com a contratação desses reboques, vai haver uma metodologia diferente. Se você estaciona hoje num local proibido e seu carro é rebocado, amanhã estaciona de novo e seu carro é rebocado novamente, nunca mais você vai estacionar em local proibido. E a bem da verdade, a realidade de todo brasileiro, é que quando você atinge o bolso, você se sente mais educado. A filantropia de você advertir, é feita. Mas está no Código Nacional de Trânsito que é proibido estacionar em passeio público, a pessoa não pode alegar desconhecimento. Mesmo assim a gente primeiro informa, depois adverte, e depois vai a sanção.

O MANGUE O secretário falou que o município arrecada cerca de trinta mil reais por mês com multas. Você sabe como é revertido esse dinheiro? 

WAGNER ROSA A destinação desses valores reverte para o próprio município. Mas melhor poderá falar sobre isso o responsável pela coordenação jurídica, senhor Nelson Vinagre. É ele que faz os envios para o Detran, ele vai te dar uma estatística de quantas multas são, qual a maior infração, como a sociedade pode recorrer dessas infrações, etc.

O MANGUE — Essa ação do governo em modificar o trânsito e combater os veículos estacionados irregularmente, coincidiu com o surgimento de muitos estacionamentos particulares, já que o município não disponibiliza um estacionamento público. E há rumores de que os proprietários desses estacionamentos são pessoas ligadas ao governo. Você sabe de algo sobre isso?

WAGNER ROSA Não sei informar, mas acho que sejam fantasias. Acho que suposições são coisas vagas, as pessoas falam o que querem. Prefiro não comentar a respeito de assunto que desconheço. Mas quando a pessoa faz gestão no município, com certeza vai desagradar a muitos. Sou servidor estadual e estou no município hoje porque acredito no projeto de poder capacitar o ser-humano em trabalhar em sociedade. Lido muito com a parte pedagógica, didática. E talvez por isso o pessoal da guarda tenha me olhado de outra maneira. O meu objetivo é fazê-los acreditar no objetivo deles. Não sou morador do município, sou de Duque de Caxias, mas estou aqui colaborando, tentando ajudar na evolução do município. Amanhã não vou estar aqui, mas eles vão permanecer, porque a guarda é concursada e muitos são munícipes. E é incentivando-os a se capacitar, que eles vão trazer o melhor pra eles, e trazendo o melhor pra eles, estão trazendo o melhor para o município, para seus familiares, e é acreditando nisso que eles estão indo fundo no ideal.

O MANGUE — Então vamos falar sobre o “Crack é Possível Vencer”. Parece que não é fácil ter aprovado um projeto como esse.

WAGNER ROSA Não, não é. O pontapé inicial foi com a dona Selma Vidal, secretária de Direitos Humanos e Assistência Social, que teve um trabalho imenso, mas que em um dia conseguiu firmar o convênio. Somente 16 municípios no estado do Rio conseguiram esse benefício, dentre eles Magé. Você tem que ter no mínimo três meses para a coordenação desse curso, fazer a estruturação com local, alimentação, equipamento, deslocamento, visitação. Estamos em sala de aula há duas semanas, trazendo os maiores instrutores das áreas de policiamento comunitário do Rio. Na segunda semana, que é a da saúde mental, vem os instrutores de Brasília. Tenho que recepcioná-los no aeroporto, trazê-los pra cá, mostrar pra eles as condições do sistema único de saúde do município. Enfim, e o chamado anexo três vai ser o treinamento da guarda com os 50 equipamentos não-letais que vamos receber. Em cima desse programa, o município está recebendo do governo federal esse material para usar no dia-dia, que são os espargidores e as armas não-letais. Em detrimento do que se pensa, essas armas não são para usar contra usuários de droga, e sim para a prevenção de uma situação em que haja necessidade. Para esse módulo virá os instrutores do Batalhão de Choque do Rio. E em setembro vão chegar as duas viaturas focus que o município também tem direito, as duas motos e o ônibus, que é equipado com material de última geração de monitoramento. Ele possui diversos computadores, com os quais se consegue monitorar até três quilômetros de distância. Na ausência de um sistema de câmeras de segurança no município, esse ônibus vai servir pra isso. Vamos controlar as entradas e saídas dos lugares.

O MANGUE — Existe estatística em Magé sobre uso de droga? Pra quais ocorrências a guarda é mais acionada?

WAGNER ROSA Fiz um levantamento prévio junto às delegacias até dezembro. Agora enviei ofício para que os delegados enviassem os dados de apreensões desse ano. O Instituto de Segurança Pública disponibiliza isso, mas eu prefiro pegar dentro das delegacias, que é a minha “massa enxugada”. Ali eu vou saber inclusive onde foram feitas apreensões dentro do próprio presidio, quando as visitas vêm e são pegas com material ilícito. Faço um levantamento com o gráfico de como funciona cada tipo de droga no município para podermos fazer o controle disso e veicular a esse programa. Notoriamente, a área de Humaitá, que faz divisa com Parada Angélica, General Mariante, é chamada de área vermelha, de muito confronto, muita difusão. Agora, pra esse tipo de confronto a guarda em Magé não é chamada. Nós atualmente temos o intuito de ajudar na preservação do patrimônio, na secretaria de Educação e no trânsito, e faltava essa capacitação verdadeira no tipo de metodologia de aplicação com a sociedade. Tenho certeza que após esse curso eles vão se encontrar dentro da filosofia da guarda, que é ser um policial comunitário. Esse não é aquele que porta uma arma de fogo e vai pro combate, mas aquele que faz a prevenção. Quando você tem isso, não chega ao atrito final. E a intenção aqui é que esses guardas reproduzam para os demais, os conhecimentos que estão recebendo. Sejam multiplicadores.

O MANGUE — É suficiente o número de guardas hoje?

WAGNER ROSA No momento ainda não. O secretário já conseguiu com o prefeito a possibilidade de fazer um novo concurso. Hoje temos 79 guardas, mas o ideal seria 150 pra trabalhar com uma margem de segurança plena.

O MANGUE — Você teria comentado entre alguns guardas, que depois do projeto você sairia da Secretaria, e isso até foi motivo de tristeza entre eles. Mudou de ideia?

WAGNER ROSA Eu sou assim, gosto de desafios, inovações. Hoje sou coordenador de uma matéria na Academia de Polícia Civil, no Rio, onde ajudo também no aprendizado dos novos inspetores. Participei da formação da última turma de 1.200 inspetores, dos 120 delegados formados, vai entrar uma turma nova de oficial de cartório, então eu gosto muito mesmo da parte pedagógica, onde eu me dediquei, me aprofundei mais, vi que é um novo horizonte. Estou na Polícia há muitos anos, e aprendi a gostar dessa parte. Transmitir novos valores é um propósito muito digno. Gostei dessa abrangência, me situei com isso e estou curtindo. Se puder continuar contribuindo com a valorização desses servidores, vou continuar. Mas se achar que minha etapa estiver encerrada aqui com eles, vou procurar novas etapas. Eu vivo de ciclos.

O MANGUE — Você concorda quando os guardas te chamam de mediador de conflitos?

WAGNER ROSA A gente faz o melhor entendimento possível. O mediador é diferente de um árbitro. O árbitro faz o julgamento das coisas, alguém ganha e alguém perde. O mediador não, faz com que os dois ganhem. Se ficar bom para ambas as partes, é o melhor.

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