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“OLHANDO PRA FRENTE”: ZÉ AUGUSTO NALIN PODE VOLTAR A BRASÍLIA, MAS QUER TIME EM PROL DE MAGÉ

Foram seis meses exercendo a suplência como deputado federal, até que por uma decisão do PMDB, ele devolveu o lugar ao então ministro das Ciências e Tecnologias, Celso Pansera, que já havia avisado que independente do resultado do Impeachment da presidente Dilma, não voltaria para o governo.

No dia 22, às vésperas do casamento de sua filha Mariana, José Augusto Nalin arrumou um tempinho para conceder, em seu escritório, esta entrevista ao site O Mangue, que de público agradece pela exclusividade.

Militante da Pastoral Carcerária, empresário de sucesso, o eterno goleiro dos times mageenses tem se mostrado um bom técnico na Política. Com visão estratégica e fiel ao seu partido, lança seu prefeito em Magé e espera retornar ao Congresso como titular até o ano que vem, quando ao menos um entre os tantos deputados pré-candidatos em seus municípios deverá ser eleito.

O MANGUE – De onde o senhor assistiu, e como o senhor analisa a sessão do prosseguimento ao Impeachment da presidente Dilma?

NALIN – Desde quando assumi meu mandato, eu procurei mostrar todas as obras federais que estão inacabadas em Magé. Fiz isso porque sabendo que, fazendo por Magé, estava fazendo por todas as cidades do Brasil. E, sabedor de que a qualquer momento eu poderia sair, eu participei ativamente de todas as conversações que tive acesso, fiquei no plenário, olhei e vi de perto todas as votações. Todas. Inclusive durante o voto 342, aparece uma foto do jornal da Câmara, na qual eu estou presente. No voto do nosso líder Leonardo Piccciani, eu estou lá ao lado, próximo à bancada do Rio de Janeiro. Inclusive o Leonardo citou nosso nome, e eu fiz um agradecimento no face, por ele ter mencionado a nós, suplentes. Achei que foi muito generoso da parte dele nos citar, porque o titular é o dono da vaga, e quando é uma noticia boa, logicamente a gente iria ficar de fora, no entanto ele nominou nosso nome.

O MANGUE – O senhor gostaria de ter votado, caso não tivesse devolvido a cadeira ao Celso Pansera? Como o senhor justificaria seu voto?

NALIN – Seria muito cômodo hoje eu falar que votaria a favor. As pessoas diriam: ‘ah, agora que já aconteceu’. Se votasse contra, a mesma coisa. Então, quero deixar claro que a bancada do PMDB, toda ela votou a favor. E quem votou contra era ministro, então eu acho que coube a eles sim toda a obrigação e toda a responsabilidade porque estavam ativamente participando do governo. Mas seria muito oportunista da minha parte, hoje eu dizer se votaria assim, ou votaria assado. Hoje isso não cabe mais.

O MANGUE – Qual foi a votação mais difícil, na qual o senhor teve que decidir entre sua consciência e aquilo que a bancada queria que fosse votado?

NALIN – Uma votação que aconteceu foi a da fosfoetanolamina. Pílula do câncer. Até eu depois coloquei no face dizendo que, como ela não tinha base científica, eu acho que o deputado não deveria votar. Mas a bancada orientou a votar pelo sim, e eu votei. Foi uma esperança. Mas, acho que foi uma interferência politica na área científica. Pra mim isso é uma coisa muito séria, teria que ter dados científicos e isso não aconteceu. Mas, como foi unânime, eu coloquei depois no meu face que isso não tinha base nenhuma científica e quem quisesse tomar esse remédio, teria que assinar um termo de responsabilidade.

O MANGUE – Na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviço, o senhor foi relator de um projeto do deputado Sérgio Vidigal, do PDT, que pedia que as empresas fabricantes de bebidas energéticas fossem obrigadas a inserir nos rótulos e embalagens a informação “A mistura com bebida alcoólica pode causar doenças do fígado”. E o senhor foi contrário a isso. Foi pelo mesmo motivo exposto acima?

NALIN – Olha, suplente não pode ser relator em nenhuma comissão. E nem presidente. O que acontece é que eu subscrevi para o relator, porque ele não podia estar presente. Então eu o fiz pedindo maiores esclarecimentos, justamente porque não havia comprovações científicas que justificassem, no projeto, a inserção de uma afirmação como essa nos rótulos e embalagens desse tipo de bebida. Esse projeto não passou.

O MANGUE – Como é que se explica essa divisão ‘oposicionistas x governistas’ dentro do PMDB, e como o senhor responde quando alguém chama o partido de traidor e golpista?

NALIN – Participei pouco tempo. Mas eu não vejo que o partido esteja dividido, rachado, o partido tem uma grandeza em todo país, e dentro de suas regiões há suas peculiaridades. Ele se tornou grande justamente por suas divergências de ideias. Eu acho que ele nunca esteve rachado. Ele teve sim, pensando no Brasil como um todo, que às vezes pendia para um lado, outras vezes para outro. Mas agora está se consolidando.

O MANGUE – Cunha e Picciani representam bem essa divergência de ideias. O primeiro sendo presidente da Câmara e pedindo o Impeachment; e o segundo, líder do partido e sendo contra o Impeachment, e ambos do Rio de Janeiro.

NALIN – É, como disse. Eu sou principiante, conheci agora mais o líder Picciani, com quem tive contato. O Cunha, até por ser presidente, não tive contato com ele. Mas acho que todos os dois estão fazendo seu papel dentro daquilo que lhes compete.

O MANGUE – O Temer também?

NALIN – O Temer também. Ele além de vice-presidente da República é o presidente do partido, e está fazendo aquilo que ele acha que é o correto. E a tendência que se vê, é que no partido está todo mundo caminhando na mesma direção neste momento.

O MANGUE – Houve uma negociação com o Pansera para o senhor assumir a suplência? Por exemplo, foi estipulado um prazo para o senhor ficar na cadeira? Ele continuava detendo parte do gabinete? 

NALIN – O que acontece: é o normal. Quando você é suplente, você tem data só pra entrar. A qualquer momento e qualquer hora você tem que entregar o gabinete.

O MANGUE – No que se refere a projetos de lei apresentado pelo senhor, foi apenas um, segundo o site da Câmara Federal. Havia algum tipo de censura prévia aos projetos, que passasse, por exemplo pelo líder do partido?

NALIN – Existe uma comissão, feita pelos líderes junto com o presidente da Câmara, entre todos os partidos. Mas só os líderes que participam, pra colocar em pauta a votação dos projetos mais urgentes, mais importantes, aí não sei qual a definição. Mas os suplentes não participam dessas decisões.

O MANGUE – E como é o projeto de isenção de taxa de pedágio aos municípios que possuam mais de uma praça de cobrança? Há expectativa de que ele ainda seja votado?

NALIN – Minha primeira fala foi sobre o pedágio. Eu frisei na época que não estava contrário ao acordo que estava sendo feito entre a Prefeitura de Magé e a CRT, mas sim a maneira apressada. E naquele momento, percebemos que Magé é a única cidade do Brasil aonde existe dentro de seu perímetro quatro áreas de pedágio. E aí, não sendo contrário ao pedágio, que eu acho que é importante, é bom, melhorou as rodovias, mas que pelo menos fosse apenas um. Como acontece em todos os lugares. Então pedimos que esses pedágios periféricos fossem extintos. Isso, se aprovado, é claro, não cai de uma hora pra outra, mas vai evitar que arbitrariedades como essa ocorram em outras cidades.

O MANGUE – O senhor assumiu sua suplência em 8 de outubro de 2015, e se afastou no dia 19, retornando no dia 22. Curiosamente, o Marco Antônio Cabral, que havia se licenciado no inicio do ano para ser secretário estadual, reassumiu no dia 19, exatamente quando o senhor saiu, e ficou apenas até o dia 21, um dia antes de o senhor retornar. Infelizmente, na página do deputado na Câmara, a reportagem não conseguiu visualizar todas as proposições de autoria dele. Mas é verdade que isso foi um acordo do partido para que ele pudesse cooptar uma Emenda Orçamentária para a cidade do Rio de Janeiro, e que em tese seria Magé a ser beneficiada? De quanto seria essa Emenda?

NALIN – Isso é normal. Qualquer deputado titular pode entrar há qualquer momento.

O MANGUE – Mas o titular é o Celso Pansera.

NALIN – Não. Quando você fecha, eu sou o quinto da coligação e o terceiro do partido. Qualquer um que entrar, podia ser o Pansera, podia ser o Cabral, o Pedro Paulo, qualquer um que entrasse, sairia o último. É pela ordem. Então, eu era o último da fila, sairia eu. Eu saí, o Cabral entrou. Ele fez a Emenda dele. Foi tudo para a Saúde do Rio de Janeiro. Magé ficou de fora, e eu acho isso normal. Porque Magé não fez um deputado titular. Magé perdeu a Emenda. Se tivesse sido eleito um titular, era Magé que teria sido contemplada. O valor da Emenda é de quinze milhões e pouco.

O MANGUE – Posteriormente a isso, o senhor se afasta novamente no dia 9 de dezembro, e por outra coincidência ele reassume novamente naquele mesmo dia. Teve algum motivo especial?

NALIN – Aí já foi na época de se discutir liderança. Por acaso foi ele, mas poderia ter sido outro. Foi por causa da votação, eu retornei logo no dia seguinte, se não me falha a memória.  

O MANGUE – Como era sua relação com seu colega de partido, o ex-prefeito de Magé, Nestor Vidal? Ele lhe pediu algum tipo de ajuda para o município?

NALIN – A relação é amistosa, mas politicamente não tivemos nenhum relacionamento. Tanto que ele apoiou o Marco Antônio Cabral.

O MANGUE – Será que isso se deve por sua aproximação com o presidente do partido no município, Ernani Silva, e com Marcos Peçanha, seus assessores e que já haviam feito parte do governo dele?

NALIN – Não, creio que não. Marcos Peçanha e ‘seu’ Ernani só se tornaram meus assessores depois que eu fui eleito. Já não teve apoio desde lá detrás. Que eu saiba não tem nada a ver. É opção.

O MANGUE – E com o representante de Magé na Alerj, Renato Cozzolino, houve alguma conversa?

NALIN – Em termos políticos não tem nada. Ele é deputado estadual e é candidato, parece a prefeito. Ele quer o melhor pra Magé, assim como a gente também quer. Só que eu sou do PMDB, e ele pertence a outro partido. Não houve nenhuma conversa que tivesse dado em algum resultado. A gente conversa sempre, quer dizer, não constantemente, mas não tem nenhum acordo pra andarmos juntos.

O MANGUE – E com Rafael Tubarão, o que foi conversado no dia da Posse dele? Já é possível fazer uma análise sobre as decisões que ele vem tomando?

NALIN – Eu ainda exercendo a função de deputado federal, ele me convidou como representante de uma instituição. Não houve nenhum pedido disso ou daquilo. Foi uma conversa informal. E me coloquei a disposição àquilo que eu poderia fazer enquanto lá estivesse, e se fosse o caso de ele também continuar. Da mesma forma como fiz com Nestor quando eu assumi. Quanto a se é possível fazer alguma análise: olha, eu estava lá em Brasília nesse período, cheguei aqui terça-feira dessa semana, e ainda não estou informado do que está acontecendo. Ainda tem uma Liminar Judicial a ser julgada. Eu estou como expectador, de fora. Não tenho conhecimento do que está se fazendo ou não.

O MANGUE – Até pelo fato de o senhor ter tido mais de trinta mil votos para federal, é natural que as pessoas prefiram seu nome para candidato a prefeito, do que o de Ricardo da Karol, que como estadual teve vinte e oito mil. Já há um consenso entre o partido e os senhores, para saber qual nome disputará a eleição majoritária esse ano?

NALIN – O nosso pré-candidato é Ricardo da Karol. Normalmente eu sempre critiquei o fato de a pessoa que ganhar pra deputado vir depois candidato a prefeito. O povo me elegeu pra ser deputado federal. Se eu tiver a oportunidade de exercer o mandato, depois o povo vai avaliar e dizer se eu fui bem ou não, e se mereço ou não vir a prefeito. Eu sempre tive isso comigo e quero manter essa posição. E acho também que isso é saudável pra criar novas lideranças. Então eu me dispus desde lá atrás a apoiar o candidato do PMDB, independente se eu iria assumir ou não. A gente tem que formar um grupo. E eu vou fazer parte do grupo do PMDB.

O MANGUE – E já tem um nome pra vice? 

NALIN – Não, ainda não. Eu acho também que está cedo pra isso, isso pode esperar com tranquilidade.

O MANGUE – Em relação a esse grupo que o PMDB vem formando, ele já estava bem evidente durante o aniversário do Ricardo, com ele, o senhor, o então ministro Celso Pansera, e o ex-prefeito Rozan Gomes que se apresentava como coordenador da campanha do Ricardo, todos subindo ao palanque. O Ernani só não subiu por dificuldades físicas, mas discursou e começou a desenhar ali a ala de mulheres do partido. Dias após isso, houve a prisão do Rozan, soba a acusação de fazer parte de um esquema que desviou mais de vinte milhões dos cofres públicos. Como o grupo, o partido, e o senhor especificamente receberam a notícia da prisão do Rozan, que aliás já está solto? Ele retorna à coordenação de campanha?

NALIN – Eu recebi com surpresa. Não tinha conhecimento, a gente ouvia falar muito da época em que ele esteve no governo, um governo muito conturbado, ele e Cozzolino. Só ele foi preso, mas foram expedidos outros mandatos de prisão. Hoje, ele mesmo pediu o afastamento da coordenação. Ele ligou para Ricardo e pediu isso. Hoje ele não faz mais parte da coordenação. Mas eu acho que o voto dele e de quem mais ele pedir pra votar, são bem-vindos. O pedido dele de se afastar, já foi um gesto de grandeza da parte dele.

O MANGUE – Entregando sua suplência, o senhor se envolve mais diretamente na coordenação da campanha?  

NALIN – Eu não vou fazer parte de coordenação. Desde lá atrás ficou muito claro, que eu vou participar é na rua, falando com as pessoas que nós precisamos formar um time. Na minha campanha eu dizia que a gente precisava ter um prefeito, vereador, deputado federal e deputado estadual. A gente tem um estadual, a gente tem um federal que é suplente. Podemos ser titular no ano que vem. Temos um time e vamos trabalhar pra mostrar ao povo que é preciso pessoas, mas não sozinhas. E sim um grupo determinado que quer o melhor pra Magé, quer administrar bem a cidade. E Magé só vai conseguir ter uma sequência de pequenos ganhos, a partir do momento que se forme um grupo pra que a gente possa fazer essa roda girar. Hoje a gente não tem isso. Nunca teve. Todos os candidatos que ganharam pra candidato federal ou estadual de Magé, vieram candidatos a prefeito, e isso na minha visão é um retrocesso.

O MANGUE – O partido tem um projeto?

NALIN – Um dia me perguntaram lá na Câmara: qual o seu maior projeto? E eu digo que o maior projeto que uma cidade pode ter, é refazer ou continuar aquilo que já foi começado. Magé tem um monte de obra parada há muito tempo. Se um prefeito entrar e der continuidade e terminar essas obras, acho que Magé já vai ter dado um grande passo pra começar a perceber que a coisa tem começo, meio e fim. As coisas aqui por muitas vezes só tem começo.

 O MANGUE – O senhor é filiado ao PMDB há uns 30 anos, mas somente na última eleição geral resolveu lançar candidatura. Porque?

NALIN – Eu pertencia, mas nunca tinha me envolvido. Comecei a acompanhar mesmo a política de Magé desde a época de Dié. Participei ativamente como eleitor, e tal. Quase foi prefeito. E aí, meu pensamento é: apoia um candidato a estadual, a federal, e depois vem candidato a prefeito, pra se fortalecer. Depois veio o Lourival. Quase prefeito, votação expressiva. E eu pensei: apoia um estadual, um federal, e depois vem prefeito. Depois veio Narriman, e tal. Depois veio Reinaldo Betão. Ganhou para federal. Na minha concepção ele deveria apoiar um candidato a prefeito para dar sequência. Aí ele veio a prefeito. Então eu vi que todas essas estratégias aí não deram certo. Com Nestor foi a mesma coisa. Ele era suplente na mesma situação que eu, quinto suplente da coligação. Na época foi sugerido que ele ficasse como federal, Claudio da Pakera como prefeito e eu como vice. Mas, preferiu vir candidato, ganhou e estamos aí. Então, eu estou seguindo o conselho que eu dei aos outros. Estou falando: olha, José, você tem chance de ganhar pra deputado federal, então apoie um candidato a prefeito.

O MANGUE – Um dos motes de sua campanha era trazer emprego para o povo mageense. Conseguiu?

NALIN – Olha só, qualquer obra paralisada em Magé, se recomeçar agora, não está sendo gerado emprego? A BR-493 recomeçou, foi retomada. Hoje mesmo já vi uns caminhões ali perto da ponte, e na altura de Itambi já estão fazendo o aterramento. Estive por mais de uma vez com o diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte, Valter Casimiro Silveira. Aprovamos uma Emenda de quarenta milhões para que essa obra seja retomada com obrigatoriedade. Se a obra da Barbuda recomeçar, eu tô gerando emprego. A obra do CEU de Fragoso recomeçar, for entregue, estamos gerando emprego. Minha visão é terminar aquilo que já foi começado. Se o ‘Minha Casa, Minha Vida’ for retomado, não vai gerar emprego? Essa é minha filosofia, minha visão.

O MANGUE – O senhor cobrou muito enfaticamente essas obras em suas falas da Tribuna. O que foi fiscalizado de fato sobre os programas e as verbas federais destinadas a Magé e que não chegam, ou chegam pela metade por aqui? Tem também obras de encostas em Santo Aleixo, em Piabetá, etc…

NALIN – Eu nunca olhei verba se veio ou não veio. Penso que não é minha função. Eu quero é que seja terminada e essa é a luta. Se veio ‘x’, não veio ‘y’,…eu não me ative a esses detalhes, até porque tem muita gente já vendo esse troço. Eu quero é que seja terminado. Fui e mostrei: ‘olha, está assim, podermos continuar?’ Fui a todos os ministérios e essa foi minha fala pra todos eles.

O MANGUE – Entre as Comissões Especiais que o senhor atuou, discutiu-se a Proposta de Emenda à Constituição que determina a instituição de “Programas de Recuperação do Meio-Ambiente”. Inclusive, um de seus últimos compromissos na Casa, foi a visita ao gabinete da ministra Izabella Teixeira. Dentro desse tema, qual a questão mais urgente existe para nossa região, além da paralisação de benefícios do Parque Natural Municipal Barão de Mauá?

NALIN – Hoje cerca de sessenta por cento da água da Baía de Guanabara é escoada pelos rios da nossa região, Magé e Guapimirim. O lixo não é produzido dentro da Baía, mas levado através dos rios. Então a ideia é criar uma contenção nas embocaduras para filtrar, conter esse volume de lixo. A ministra conhece toda nossa região, é uma profunda conhecedora do meio-ambiente, descreveu tudo que nós temos, eles sabem perfeitamente da devida importância que Magé e Guapimirim têm na Baía, e as coisas vão fluir, não tenha dúvida. O Parque Barão de Mauá é uma área de replantio, reflorestamento, com cerca de quarenta hectares. Ali tem uma escola ao lado, e nós sugerimos um projeto para que a comunidade interaja, conviva com esse meio-ambiente. A comunidade não sabe como funciona o ecossistema. A ministra se colocou em prontidão para levar técnicos, em uma parceria com a escola. Primeiro tem que conscientizar para as coisas acontecerem. Nesta ocasião eu estava acompanhado da minha assessora de meio-ambiente, Renata Aquino.

O MANGUE – Dentre as dezenas de visitas de mageenses que o senhor recebeu no Congresso, houve a do advogado Darke Júnior, e na ocasião vocês foram até o Ministro dos Transportes Antônio Carlos Rodrigues, pleitear a implementação do transporte marítimo entre Magé e Praça XV. O que ficou decidido nessa reunião?

NALIN – Esse já é um projeto antigo. A gente lembrou ao ministro. E ele indicou e colocou a parte técnica em contato com o Darke, que está dando prosseguimento a esses contatos.

O MANGUE – Darke Júnior é seu candidato a vereador?

NALIN – Ele era meu assessor até a pouco tempo. Foi o primeiro a lutar pelo pedágio, ainda em Santo Aleixo, e o pessoal que mora ali não foi beneficiado com o acordo. Por isso o chamei. Valorizando as pessoas que começam. E meu vereador são todos aqueles que estão no meu partido PMDB e minha coligação.

O MANGUE – Qual sua principal crítica ao Congresso Nacional, do que sente mais saudade de lá, e o que ficou de aprendizado?

Foi um aprendizado espetacular. Tive um relacionamento ótimo, todas as pessoas me trataram muito bem, todos os deputados com quem tive contato me trataram muito bem, fui muito bem recebido. E ainda não estou com saudade. Entrei, já sendo sabedor de que uma hora isso iria acontecer, e talvez em um futuro eu retorne. Mas também se não voltar, tenho minha consciência tranquila, porque aquilo que eu imaginava, e queria fazer, eu fiz. Olhei o que estava parado e mostrei o que precisa continuar. Quero que as coisas sejam concluídas, e se acontecer, sei que não vai ser eu que vou fazer, mas contribuí, sendo lembrado com minha pastinha lá com o ministro, dizendo ‘olha, termina’. Quero agradecer mais uma vez quando no dia da votação foi feita a menção do nosso nome pelo nosso líder Picciani. Estar lá foi muito gratificante. Agradeço a quem votou em mim, quem confiou. Eu fiz o que achei que era correto. E o correto é terminar o que foi começado. E se Deus permitir, ou se for pra acontecer, eu voltarei pra lá e vamos dar continuidade. Nosso foco agora é a próxima eleição, e trabalhar.

O MANGUE – Só tenho um pouco a impressão de que o senhor deixou frustrado quem esperava em contar com seu nome para cabeça-de-chapa.

NALIN – É, mas acontece o seguinte: a gente nunca agrada a todo mundo. A gente primeiro precisa agradar a si próprio. E estou muito consciente da minha decisão nesse momento, de que essa é a melhor decisão para todos. Mesmo que o resultado não venha agora, mas estou pensando mais no futuro, a longo prazo. A gente tem que parar de pensar no agora. Isso foi uma das coisas que aprendi no Congresso: olhar o passado, olhar o presente, mas olhar mais para o futuro, pensar mais estrategicamente. Sei que faz parte do ser-humano pensar muito no ‘aqui-agora’, mas aquela pessoa que ficar frustrada por eu não ser cabeça-de-chapa, quero que entenda o seguinte: Eu tô olhando pra frente. Eu acredito que o Ricardo vai ser um grande prefeito, até porque vai ter apoio de um grande time. Se ele não se eleger, vai ser a vontade do povo e isso será respeitado. Então, da mesma maneira que a gente respeita a vontade do outro, eu gostaria que me compreendessem, que saibam que estou pensando no melhor. Acho que não existe salvador da pátria, uma pessoa só não consegue resolver. Esse é o meu recado, e se a gente ganhar, olha só que coisa boa: vamos ter um time. Prefeito Ricardo, dezessete vereadores, deputado estadual Renato Cozzolino, e deputado federal Zé Augusto Nalin.

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