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PREFEITURA DE MAGÉ MANTÉM ASSIM OS LIVROS DOADOS PELA BIBLIOTECA NACIONAL

As fotos falam por si. O prédio da Avenida Simão da Motta onde funcionava a Fundação Educacional e Cultural, e a Biblioteca Pública de Magé havia sido interditado pela Defesa Civil do município no dia 6 de janeiro. Mas pelo menos até a última sexta-feira, os livros doados pela Biblioteca Nacional permaneciam no local jogados no chão.

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A reportagem de O Mangue teve acesso ao prédio que a Prefeitura havia interditado e agora está pegando de volta. No local funcionarão a Biblioteca Renato Peixoto, a sede da Fundação Educacional e Cultural de Magé, a Assessoria de Comunicação, e a Comissão de Sindicância. Para muitos, o descaso na hora de armazenar os livros é o retrato da importância que a Prefeitura dá à Cultura e à Educação

O diretor da Fundação (que é uma entidade autárquica), Thiago de Souza, explica que com a interdição o acervo foi levado para a Estação de Guia de Pacobaíba em Mauá (apesar de a sede da Fundação ter ido para Piabetá), onde se manteve inacessível ao público, guardado na sala 1 do módulo II. E que os livros foram levados de volta ao prédio da Simão da Motta porque o local (alugado) não está mais interditado e será usado novamente pela Prefeitura, ao mesmo tempo em que a Estação em Mauá abrigará uma oficina de teatro, ainda sem data para começar. Ainda segundo ele, a responsabilidade pelo traslado dos livros foi da Secretaria de Educação, que o fez na semana passada. “A Fundação não tem transporte”, disse em entrevista ao site O Mangue na manhã de sexta-feira.

— Eu fui lá e estou ciente dessa situação. Mas é que quando chegamos nos deparamos com as paredes mofadas, precisando de pintura. Então, a partir de terça-feira (15) vamos estar organizando tudo, já chamamos grafiteiros para grafitarem o local, vamos botar prateleiras, e a ideia é fazer também um lugar de pesquisas digitais – explica Thiago, confirmando que se trata de livros lançados de 2010 pra cá, doados pela Biblioteca Nacional através do Sistema Estadual de Bibliotecas do estado do Rio de Janeiro.

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O diretor da Fundação, Thiago Souza: “Secretaria de Educação levou os livros”

Onde está o Telecenter?

O município de Magé chegou a contar com duas bibliotecas: a da Fundação, que funcionava no antigo prédio da rua do Rotary Club; e a biblioteca Renato Peixoto, criada no governo Renato Cozzolino, e funcionava em cima da rodoviária de Piabetá.

Thiago explica que, no incêndio da biblioteca da Fundação em 2002, foram resgatados cerca de cinquenta livros, que recentemente tiveram que ser descartados (“eles estavam encaixotados em uma escola em Santo Aleixo, em situação já precária, e há uma indicação do Sistema Estadual de Bibliotecas que não se use mais livros sem a Reforma Ortográfica”). Quanto aos livros da Renato Peixoto, simplesmente não se há informação de onde foram parar.

— O Ministério das Comunicações nos cobrou isso, então foi aberta uma sindicância interna em 2012 para apurar e até agora nada foi descoberto. Na verdade a biblioteca Renato Peixoto detinha um Telecenter, que quando nós assumimos, não encontramos.

Thiago esclarece que o que há hoje (ainda de forma inativa) é uma junção das duas bibliotecas, e como nenhuma das duas possuía registro na Biblioteca Nacional, resolveu-se registrar uma única, com o nome de Renato Peixoto, para manter a homenagem. “Queremos que se crie uma lei para que ninguém mais desfaça”, diz.

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Projeto Estadual ‘Agente de Leitura’: Magé tem só dois

No dia em que recebeu a visita da coordenadora do Sistema Estadual de Bibliotecas do estado do Rio de Janeiro, Rita Carino, a Fundação recebeu mil e quinhentos novos títulos, conforme divulgado pela Assessoria de Comunicação de Magé (Ascom). Muitos deles foram distribuídos à população, pois tratavam-se de edições repetidas. Os outros são os que estão empilhados no chão de duas salas no prédio da Simão da Motta.

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A presidente da Fundação, Aucília Brandão (na extremidade à direita da mesa) com a coordenadora do Sistema de Bibliotecas do estado, Rita Camuro (na extremidade à esquerda): doações e projetos

Na ocasião da visita, em novembro do ano passado, a coordenadora ainda apresentou o projeto ‘Ponto de Leitura’, no intuito de “beneficiar associações e ONGs que já funcionem atendendo a comunidade e mesmo que estejam em nome de pessoa física, poderão receber incentivo financeiro participando do edital”. Segundo Thiago, o edital para esse projeto ainda não foi aberto.

Outro projeto anunciado, foi o ‘Agente de Leitura’. Embora na matéria tivesse sido anunciado como “já acontecendo no município”, os dois (apenas) agentes ainda não começaram a trabalhar. Thiago comenta:

— Foram sete inscritos que fizeram a prova, mas só dois passaram. Eles estão terminando o curso e vão receber um kit do estado para atuar no próprio bairro onde moram, que no caso é Santo Aleixo e centro de Magé, passando de casa em casa emprestando livros Infanto-juvenil. Nossa intenção é fazer uma cópia desse projeto, que é de custo baixo, para atender a todo o município — conclui.

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