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Processado “até o pescoço”, Grupo Pakera decreta Recuperação Judicial

Sede principal do Grupo Pakera, no famoso bairro de Mané Garrincha

Desde que renunciou ao cargo de vice-prefeito de Magé, em 2015, é comum se ouvir em rodas de conversa que o empresário Claudio Rodrigues Ferreira decretou a Falência de uma de suas mais famosas empresas, a Refrigerantes Pakera, com sede no bairro Pau Grande. Há alguns meses, um comunicado assinado pela Administradora Judicial Nery & Medeiros Sociedade de Advogados, com sede no Rio de Janeiro, ganhou as redes sociais, e seu conteúdo comprova que, na verdade, o Grupo Pakera passa por uma ‘Recuperação Judicial’, ou seja, a empresa reconhece suas dificuldades para quitar dívidas e tenta evitar a falência traçando um plano de resgate financeiro sem maiores prejuízos ao seu patrimônio.  A causa que mais se destaca para o mal momento é “a crise financeira no Brasil”.

Tramitando na 1ª Vara Cível em Magé, o processo tem o número 0009466-67.2016.8.19.0029. A Recuperação teve sua certidão publicada em 27 de janeiro deste ano, e ela diz respeito às seguintes sociedades empresariais: Empresa de Mineração de Águas Sant’anna LTDA, MR Locadora de Veículos LTDA. ME, Pan-Rio Comercial de Bebidas LTDA, MC Locação de Bens Móveis LTDA, Atlântica Indústria e Comércio de Águas Minerais LTDA, e Tomter RJ Locação de Veículos LTDA.

Claudio da Pakera em foto da revista Isto É Dinheiro, no ano de 2011, ou seja, assim que assumiu a vice-prefeitura de Magé. Na ocasião, comemorava-se o bom andamento dos negócios, com patrocínio aos times de futebol Duque de Caxias e Boavista. Projeção nacional e crescimento de 30% das vendas do guaraná Tobi

Indicada judicialmente para atuar como espécie de fiscal do processo, a advogada Jamille Medeiros de Souza revela que são cerca de dois mil credores ao todo, e que ainda há tempo para a inserção de novos nomes, desde que se enquadrem na Recuperação, cujo teor pode ser encontrado no link cmnm.adv.br/documents. Em uma conversa rápida por telefone entre a reportagem e a advogada, ela se mostrou otimista em relação às projeções financeiras da empresa, traçadas para até depois do ano 2030.

— A Recuperação Judicial está bem no começo, já fizemos um trabalho intenso mas ainda há muito a ser feito. A empresa vai sair dessa sim, os pagamentos vão poder ser feitos – afirma.

Processos em mais de vinte municípios

Ainda no final do ano passado, uma pesquisa feita pela reportagem do site OMANGUE.COM junto a Corregedoria Geral da Justiça, através do Forum de Magé, detectou que a empresa Refrigerantes Pakera possui Certidão Positiva de Débitos Trabalhistas, na Justiça do Trabalho, e mais de cem processos em andamento, inclusive um movido pela União Federal. ‘Claudio da Pakera’ não retornou ao email nem aos telefonemas da reportagem para comentar o caso.

Segundo a documentação levantada àquela época, de 198 processos encontrados (entre os que tramitam e os que foram arquivados ou finalizados), a esmagadora maioria teve origem entre 2015 e 2016. Além de Magé, há representações nas comarcas de Três Rios, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Duque de Caxias, Queimados, Itaguaí, Rio de Janeiro, Maricá, Araruama, Niterói, Campos dos Goytacazes, Itaperuna, Cabo Frio, Teresópolis, São Gonçalo, Barra Mansa, Resende, Rio Bonito, Itaboraí, Nova Friburgo, e Petrópolis.

É bom saber que tal levantamento abrange apenas o chamado Sistema Eletrônico do Poder Judiciário, e que foi efetivado com base no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas, não alcançando cadastros processuais de pessoas físicas ou mesmo os processos registrados apenas fisicamente, em geral “de 2014 pra trás”.

As coisas começaram a piorar para a empresa no mesmo instante em que Claudio renuncia como vice-prefeito, entregando denúncias contra o prefeito com quem compunha a chapa, Nestor Vidal. Antes da briga, funcionários da Pakera questionavam-se sobre quando o rompimento iria acontecer, uma vez que eram comuns as queixas de Claudio em relação a Nestor

Pode-se ver através do site CONSULTASOCIO.COM.BR, que além das empresas citadas nesta matéria, outras dezenas são encontradas como pertencentes a Claudio Rodrigues Ferreira. Mas, sem o mesmo querendo falar em entrevista, fica difícil de confirmar se todas são de fato do “dono da Pakera” ou de homônimos. Dos mais variados ramos, com capital social avaliado em R$ 6.358.801, muitas delas têm também sede em Magé, e em outros estados, como por exemplo em Minas Gerais, de onde Claudio é natural. Seja como for, cabe aqui o registro da busca:

http://www.consultasocio.com/q/sa/claudio-ferreira-rodrigues

 “Eles não pagam a ninguém”

Enquanto isso, ex-funcionários, a maioria que integrava a equipe de vendas, lamentam seus desligamentos da firma sem que tenham recebido seus devidos direitos. E, mesmo preferindo não se identificar, revelam à reportagem um pouco do que estão relatando nas audiências, quase diárias na Justiça do Trabalho:

— Eles não pagam a ninguém, todos os empregados têm que entrar na Justiça. No meu caso, eu atuava pela Pakera, mas minha carteira era assinada pela empresa Universal. Isso é totalmente ilegal. No documento consta que essa Universal tem sede em São Gonçalo, e eu nunca botei os pés lá – conta alguém que ficou na ‘casa’ por cinco anos.

— Da noite pro dia me falaram que mudou o comando e que pra não mandar a gente embora iriam nos transferir para outro setor. O certo seria nos mandar embora, nos indenizar e nos recontratar para nova função. Mas ao invés disso nós continuamos com nossa carteira assinada da mesma forma, porém perdemos nossa comissão e passamos a ganhar salário fixo, ou seja, passamos a trabalhar mais e a ganhar menos. Essa é uma das minhas brigas na Justiça – relata outra pessoa.

— A gente tinha horário pra entrar e não tinha pra sair. Nossa base era em Magé, daí alugaram uma sala em Caxias e a gente tinha que ir lá todo o dia, isso nos trazia muito transtorno e onerava custos que não eram repassados pra gente. A esposa de um dos diretores era representante de uma marca de vinho e eles nos massacravam pra gente vender esse vinho, se a gente não batesse a meta diária, que era de vinte caixas, a gente era obrigado a voltar pra Caxias só por mera punição, só pra olhar pra cara deles. E era uma coisa extremamente difícil de vender, porque era um produto novo e caro.

— Até que, não satisfeitos, nos puseram pra trabalhar em dia de domingo também, só que proibiam de ter reunião com os supervisores, pra não caracterizar que estávamos trabalhando. Porque aí alguém podia tirar uma foto e provar que a gente tava trabalhando no domingo sem receber extra – completa outro ex-funcionário.

— Fiquei com duas férias vencidas. Me mandaram embora e se esqueceram que tinham que me pagar. Eu recebi o que estava na carteira, e o restante do que a empresa me deve eu estou brigando na Justiça. Porque a gente só recebia na carteira o salário fixo, comissão nunca entrou na carteira e o certo é entrar. Comissão de ninguém entrava na carteira. Na cervejaria Itaipava eles pagam os direitos todos, as comissões dos vendedores entram na carteira. Porque na Pakera eles não pagam?

Comunicado emitido pela Administradora, convocando as pessoas para ingressarem no processo de Recuperação Judicial. O endereço em Magé não está sendo mais usado, mas os contatos pelos telefones sim

 

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