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QUANDO A SOCIEDADE VAI ESCUTAR A FAVELA?

* Texto publicado originalmente no site midiacoletiva.org, em 22 de outubro de 2015. Foto: Empresa Brasil de Comunicação

Polêmico texto do escritor e poeta Anderson Dinho que confronta a política de segurança do Estado do Rio de Janeiro e seu principal agente que são as UPPs.  A postagem, que desconstrói o discurso fascista “bandido bom é bandido morto” provocou o banimento da página da Mídia Independente Coletiva da rede social por duas horas.

O escritor usa de um brilhante discurso escatológico, construindo em sua narrativa uma série de situações chocantes que ocorrem diariamente nas comunidades e que são desconsideradas pelo dia a dia do governo, instituições e mídia corporativa.

A rede social Facebook excluiu a página da MIC, coletivo independente que compartilhou o texto, só retrocedendo nessa atitude após ser notificada extra-judicialmente por eficientes advogados do Mariachi que atuam na defesa dos comunicadores populares do Rio de Janeiro.

Após a grande polêmica ocorrida no dia de ontem o ativista e escritor Anderson Dinho passou a sofrer ameaças, segundo informações apuradas por nossos repórteres. No mês passado, a página da mídia independente Mariachi, também foi retirada do ar, configurando um atentado a liberdade de imprensa que teve como agente catalisador novamente o Facebook.

A atuação desse coletivo é considerada como a “voz dos precarizados” e a perseguição aos coletivos de mídia independente radicalizou após uma reportagem do mesmo Mariachi onde o secretário de segurança, Beltrame, aparece com uma camisa com os seguintes dizeres “Por um Rio Sem Barreiras”, sendo que a ação dos seus comandados, neste dia, era contrária ao lema usado pelo secretário Beltrame. Neste dia presenciamos um escândalo sem precedentes onde policiais atuaram como no filme Minority Report, impedindo negros e pobres de chegarem as praias da zona sul, com o motivo de que eles “iriam” fazer arrastão.

Agora, se inicia uma nova era em nosso sistema de comunicação popular, não estamos mais presos as redes sociais que censuram os atos e palavras da população precarizada. A midiacoletiva.org abre possibilidade de nos comunicarmos diretamente, de forma franca com os seguidores do canal, sem censura.

Eis o texto:

Por: Anderson Dinho.

Cês sabem que raramente falo de Segurança Pública, porque não tenho cacife pra isso mas,

PORQUE O RODRIGO PIMENTEL PERGUNTOU HOJE NO JORNAL DA GLOBO “ONDE ESTAVAM AS ONGs PRA CHORAR A MORTE DO POLICIAL QUEIMADO VIVO?”

?

Não é responsa de nenhuma ONG carioca, Rodrigo, se manifestar por policial, MUITO EMBORA até entenda o fairplay da parada.Ok. Cê quis dizer:

“CADÊ A SENSIBILIDADE DA RAPAZIADA, PÔUSHA.”

A sensibilidade a rapaziada enfiou no cu, meu filho.

Não tem sensibilidade, Rodrigo. Não tem sensibilidade com ESSA polícia.

E mais, quando digo ESSA, não me refiro a UPP ou Batalhão, é a CORPORAÇÃO que há anos vive drenada por agentes de corrupção internos e externos.

É maior, braço.

É uma cultura. É uma construção. Um projeto de poder.

Não tem sensibilidade quando dois policiais arrastam Cláudia morta, presa pela calça, numa viatura. Não tem sensibilidade quando um Bope chama Eduardo de 10 anos de vagabundo na porta de casa e pláu nos córno dele. Não tem sensibilidade quando três cana mata o muleke e forja a cena do crime botando a pistola na mão do morto.

Não tem sensibilidade, viado.

Cês estouraram a cota da sensibilidade, pra agora vir pedir reação.

ONGs são respostas da sociedade civil, que se organizou em muitos casos PARA SE PROTEGER DA POLICIA.

Essa policia folgadona, policia fodona, sujona, que faz Blitz com fuzil na tua cara pra pegar 10 reais. Essa policia que faz churrasco na cadeia. Essa polícia miliciana. Essa polícia que recebe o arrego toda sexta feira. Que se organiza na ALERJ. Que se organiza no Judiciário.

Hein? Falatu.

Vai morrer dublador de trilogia nerd e vai ter cabôco queimado sim. E se reclamar, vai morrer mais. A culpa não é da sociedade ~defensora de bandido~

E não vai ter ONG nenhuma chorando. Eu, Dinho, choro a morte de quem eu quero. E morador não assinou documento nenhum no SEPLAG admitindo o risco da profissão de morador. Você sim. Morador morre de bala perdida em operação que o bandido NUNCA é encontrado.

Então policial sabe do risco. Tá nessa consciente.

Cê acha que não tenho amigo e parente nesse rolé?

Cê acha que eles pensam nisso aí?

Com fuzil pra fora, todos vocês se acham Superman.

Seja mulher, seja homem.

Viram peito de ferro.

Outro dia desses, um de vocês encarando a minha mulher de dentro da viatura e falando putaria. Comigo ali, parcêro.

Fala você.

É pra quem chorar?

É que fairplay que tu quer?

No Rio, tu quer fairplay?

O pastor fode vocês e vocês pede ajuda ao pai de santo? Que esquizofrenia é essa joven?

ONG foi feita pra chorar outras mortes. ATÉ DE VAGABUNDO. Mas não vocês.

Cês tem que ir no governador. Cadê você Luiz Fernando Pezão? Cadê você Beltrame? Não foram vocês que botaram esses caras na rua? Não são vocês que formam e pagam o salário de cu que eles ganham pra morrer queimado? Não são vocês que tão perdidos e chamam a DEA pra resolver a bagaça?

A Segurança Publica carioca tá falida. Há décadas.

Décadas.

Cês tem que parar de cobrar reação da sociedade, porque a sociedade se pudesse não veria jamais essa polícia. Cês são o homem mau, porra.

Vai chorar na PMERJ.

Peita o Comandante. Vai no Tenente-Coronel. Vai no comando. Peita eles. Faz greve. Leva familia, mulher, filho, caralho todo, invade quartel, deixa eles ameaçar vocês de exoneração, SINTAM NA PELE O QUE É SER AMEAÇADO PELA PM, porque é com eles que vocês tem que se resolver, não com a sociedade.

Invade o Palácio da Guanabara e peita o Pezão. Invade a Central e peita o Beltrame.

Porra!

Eu não queria que o maluco morresse.

Mas eu choro os mortos daqui, se organizem, porra, pra vocês não morrerem mais.

Cadê você PMERJ? Seus putos.

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