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SEPE PANFLETA NO ANIVERSÁRIO DA CIDADE: “POLÍTICA DE MAGÉ É CORONELISTA”

O ponto alto durante o Desfile Cívico em comemoração ao aniversário dos 449 anos de Magé, no dia 9 de junho, não estava no palanque, nem nas bandas marciais, nem nos dizeres confeccionados pelos alunos em cartazes, nem nos uniformes impecáveis. Enquanto as escolas se apresentavam às autoridades municipais, um grupo de participantes do Sindicato dos Profissionais da Educação do Estado do Rio de Janeiro (SEPE) aproveitou a oportunidade para prestar um serviço de informação à população, distribuindo panfletos com o tema “Como Anda a Escola do Seu Filho/A?”. Nunca é demais lembrar que o sindicato não representa apenas as escolas estaduais, mas também as municipais em todo o estado do Rio. A tesoureira do sindicato, professora Daniela Jardim, fez uma síntese da situação em que se encontra a Educação Municipal em Magé:

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O Movimento Estudantil de Magé se juntou ao SEPE durante o aniversário da cidade para divulgar eventos contra os gastos bilionários da Copa do Mundo

— Falta muito material didático, condição de estrutura, de trabalho, e principalmente falta democracia. O salário não é problemático, mas não temos Plano de Cargos e Carreira e a Prefeitura não tem se mostrado aberta em relação a isso, não existe por parte deles uma discussão séria. Então, quem tem 30 anos trabalhando ganha praticamente a mesma coisa de quem entra agora. O único projeto mais ou menos apresentado até hoje foi pelo SISMA – Sindicato dos Servidores, que não foi encaminhado. Ele previa Plano de Carreira só pra PI, PII e Especialista, e não considerava os profissionais da Educação como um todo. E hoje nós temos, por exemplo, o problema dos animadores, das inspetoras, que fizeram o concurso mas não existe uma categoria profissional para enquadrá-las. Trabalham em uma função mas recebem como se fosse outra. A nossa proposta é que tudo isso seja revisto, inclusive com base em reajustes entre os níveis, acima do que vem propondo a Secretaria de Educação, que é um percentual irrisório — explica Daniela.

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Professora Daniela: “Não temos um Conselho de Educação”

E continua:

Sem Conselho

— A gente não tem hoje um espaço democrático dentro das escolas, um Conselho de Educação; não existe eleição para diretores nas escolas; a maioria dos Conselhos Escolares não acontecem e quando acontecem são de forma arbitrária, com as direções escolhendo quem vai participar. Ainda hoje, a linha da Secretaria é: “vamos fingir que acontece, mas vamos tentar fazer o tempo inteiro com que tenhamos o mínimo de discussões possíveis”.

Quanto ao fato da Secretaria de Educação funcionar juntamente com a Secretaria de Cultura, como uma só, a professora não vê grandes dificuldades, mas pondera:

— É importante que tenhamos mais investimentos e mais seriedade, tanto da parte da Educação quanto a Cultural. Acho que é possível fazer coisas juntas. Mas é preciso um grau de profissionalismo muito maior, e hoje ainda não temos isso. A política de Magé ainda é muito coronelista.

Assédio Moral

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A secretária de Educação de Magé, Angela Lomeu, ao lado do prefeito Nestor Vidal e da candidata a deputada estadual, Sônia Oliveira. Sônia, aliás, é ex-secretária de governo e havia se ausentado para disputar as próximas eleições. Há quem acredite que sua presença no palanque foi “a maior bandeira”. Já Angela Lomeu é a quarta secretária de Educação de Magé, em apenas dois anos

Exemplificando, a professora cita um caso que ocorreu no início deste ano na Escola Maria Clara Machado:

— Temos tido muita denúncia de Assédio Moral. Pessoas que são ameaçadas: “olha, você está em estágio probatório, presta atenção no que você tá fazendo”. No início desse ano teve um caso muito grave: uma Especialista chegou pra trabalhar e recebeu a notícia de que ela não estava mais alocada naquela escola. Nenhuma justificativa foi dada a ela nesse sentido, até hoje ela não tem nem sequer o documento que foi encaminhado à Secretaria de Educação tirando ela da escola, e não podemos ainda fazer nenhum processo de defesa mais sério sobre essa questão. Esse caso é emblemático mas temos vários outros no dia-dia, de professores que tentam se colocar sobre algumas questões e são impedidos e ameaçados de alguma forma. Se o professor fala alguma coisa, o trabalho dele é dificultado, ele tem o horário mudado, é trocado de escola sem ser consultado. A gente sabe que isso é uma perseguição, uma represália, porque quem sofre esse tipo de coisa são aqueles que questionam, que se mobilizam, que paralisam, fazem greve. É uma repressão direcionada. Pra quem não reclama, tá tudo bem.

 

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Assembleia e Plenária

A greve do SEPE, que já dura um mês em todo o estado, não encontrou muita adesão em Magé e Guapimirim. Por aqui somente cerca de 10% dos profissionais aderiram. Mas o sindicato realiza reuniões mensais e está convocando os profissionais da Educação (não só professores, mas todos que trabalham dentro de escolas) para participarem da Assembleia Unificada, no dia 10 de junho (terça-feira), às 18h no Colégio Estadual de Magé; e da Plenária de Funcionários e Aposentados da Educação, no dia 14 de junho (sábado), também no Colégio Estadual.

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