Vinícius Cozzolino: “Núbia recebeu ameaça, para parar com as denúncias”

O dia 29 de dezembro de 2017, antevéspera de réveillon e último dia útil do ano, foi a data escolhida pela Prefeitura de Magé para interditar os dois únicos postos de gasolina que trabalham com GNV (Gás Natural Veicular) na cidade. Isso ocasionou um transtorno imenso aos proprietários de automóveis e ganhou destaque ainda maior pelo fato de ambas as empresas serem de propriedade da família Cozzolino, notoriamente composta por atuais adversários políticos do prefeito Rafael Tubarão (PPS).

O advogado Vinícius Cozzolino, que no dia 2 de janeiro conseguiu que uma suspensão do ato de interdição fosse liberada por um desembargador de plantão (lembrando que o período era de recesso do Poder Judiciário), permitindo assim a reabertura de um dos postos, chegou a afirmar, em entrevista concedida a esta reportagem no dia 5 do mesmo mês, que sua tia, a ex-prefeita Núbia Cozzolino, foi procurada, em seu escritório, por uma pessoa ligada ao prefeito Tubarão com a seguinte ameaça:

— Ou ela para de fazer os vídeos sobre superfaturamento e empresas fantasmas que fornecem pra Prefeitura, ou vão fechar os demais estabelecimentos da família, como escolas e casas de material de construção. Trata-se de perseguição política – denuncia o advogado.

O posto do primeiro distrito, administrado por Núcia Cozzolino (irmã de Núbia e ex-secretária de Fazenda na cidade): vários dias fechados e reaberto por Liminar

Os postos fechados foram o Trevo de Magé, às margens da BR-493, cujos donos são Marcela Cozzolino e Maicon Guariroba (e é administrado por Núcia Cozzolino, ex-secretária municipal de Fazenda); e o Fragoso, localizado no bairro de mesmo nome, que tem como donos Teresa Cozzolino e seu neto, o deputado estadual Renato Cozzolino Harb (PR). Tal posto é administrado pelo ex-prefeito e também ex-presidente da Câmara, Anderson Cozzolino, o Dinho. Quem explica o enredo dos acontecimentos é o advogado Vinícius:

— Os fiscais da Secretaria de Fazenda chegaram por volta de meio-dia no posto Fragoso, já com uma ordem de interdição e o único motivo para essa ordem era de que o posto não tinha alvará de localização. Então foi apresentado a eles o comprovante da taxa de licenciamento paga no dia 21 de março e o alvará com validade por tempo indeterminado, emitido em 10 de abril. Assim como foi apresentado o certificado de autorização do Corpo de Bombeiros e a licença ambiental dada pelo INEA. Eles então se convenceram de que estava tudo certo e foram embora. Mas retornaram logo em seguida, e foi quando o senhor Marcelo Cordeiro Valadão, fiscal de tributos, que liderava a ação, disse que iria fechar o posto porque havia uma ordem da secretária de Fazenda, Monique Tavares, nesse sentido – narra Vinícius.

Há décadas o Posto vem funcionando mediante alvarás renováveis. Em 2017, o mesmo Governo que lhe concedeu o alvará com validade indeterminada (através do então secretário de Fazenda ‘Leo da Vila’), alegou a não-existência do documento
Em primeira petição à Justiça, um juiz não permitiu a reabertura do posto, alegando que o comprovante de pagamento de licenciamento não estava anexado ao processo. Mas a taxa (descrito no boleto da Prefeitura como TxLin) é pré-requisito para o alvará, este sim apresentado na petição

Resultado: Dinho entendeu estar sendo vítima de um crime, chamou a polícia e foram todos para a 66ª Delegacia, onde foi registrada ocorrência sobre Abuso de Poder praticado por funcionários e administradores da Prefeitura. Foi de causar estranheza, inclusive, ver chegar à unidade policial, naquele momento, o próprio prefeito, o vice, o procurador-geral e a secretária de Fazenda, numa tentativa, quem sabe, de “fazer pressão”.

— O município se encontra com seus serviços públicos completamente deficitários e em pleno horário de expediente o prefeito deu prioridade em fechar um estabelecimento que já exerce suas atividades no mesmo local há mais de 45 anos, e isso tudo evidencia o desvio de finalidade, o abuso de poder. Ali ficou claro que aquela era uma vontade pessoal do prefeito. Essa decisão da Prefeitura causou prejuízo não só ao erário estadual, já que o posto recolhe ICMS, como também à população, aos empresários e aos mais de sessenta chefes de família que trabalham naqueles postos – fala Vinícius.

Iate Clube também foi interditado

Outro dado curioso: de acordo com as informações apuradas, o ato de interdição número um, do Governo Municipal de Magé, durante todo o ano de 2017, foi o do Iate Clube Mauá, de propriedade do exvereador Valdeck Ferreira, que é casado com Jane Cozzolino, mãe do deputado Renato. A interdição deixou o município sem festa oficial de réveillon, o que redundou em prejuízo para os comerciantes de Mauá e para o próprio Iate Clube, que já havia comprado mercadorias e contratado shows. Os atos de interdição número dois e número três são, respectivamente, o do posto de Fragoso e do posto Trevo de Magé. No dia 22, mediante uma liminar, o posto Trevo de Magé também foi reaberto.

Além de não apurar a veracidade dos fatos, matérias como as feitas pelas empresas Globo, e pela maioria das mídias locais (todas elas muito provavelmente encomendadas pela Prefeitura), omitiram o fato de que somente empresas ligadas aos Cozzolino foram fechadas

DEIXE UMA RESPOSTA