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VOCÊ APROVOU A DERRUBADA DOS QUIOSQUES EM PIABETÁ?

No dia 18 de maio, a Prefeitura de Magé acabou com uma das tradições mais antigas de Piabetá: os quiosques da praça Sete de Setembro. Comandada pela Secretaria de Ordem Pública, a derrubada dos 17 comércios, e mais a retirada de outras tantas bancas de jornal, criou muita polêmica.

Na semana do ocorrido, o site O Mangue foi até o local saber a opinião das pessoas. Os quiosqueiros estão recebendo um lugar na rodoviária para explorarem como ponto de comércio, mas nenhum topou participar da enquete, o que revelou o temor que eles têm de represálias por parte do poder municipal.

Oficialmente a prefeitura tem falado em ‘revitalização e urbanização da praça’, e sabe-se que a reforma contemplará toda a dimensão da praça. E você? O que achou da derrubada dos quiosques em Piabetá?

Caíque Alves, ambulante

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“Fizeram errado, pô. Cortaram a árvore que era a única sombra que a gente tinha, tiraram o bar dos outros. Foi erradão. Mandaram eles lá pra rodoviária junto com as filas, cada dono de bar ficou com um pedacinho de nada. Cabou o lazer das pessoas, ficou sem graça. Eu vendo bala aqui, isso me atrapalhou. Se eu tivesse dinheiro eu ia pra Caxias porque lá arruma mais dinheiro do que aqui”.

                                                                                                                                                                               José da Silva, pedreiro

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“Assim tá mais limpo, mais arejado, acabou esse maconhal que vivia aí, era uma bagunça danada. Eu gostei. Achei muito bom, a cidade ficou mais bonita. Tão dizendo que vai ser área de lazer”.

Regina Célia, ambulante

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“Essa derrubada desses quiosques foi assunto até lá no Rio de Janeiro, porque eu também trabalho lá e ouvi essa conversa dentro de um ônibus. Pra mim, eu tô de acordo. Ali tava muita bagunça, gente fazendo sexo, rolava outras coisas mais, porque a gente sabe que tinha droga também. E limpou a praça. Prejudicou muita gente, mas foi melhor. Dizem que vai ser uma área de lazer pra idosos e crianças”.                                                                      

                                                                          Fabiana Furtado, consultora de vendas

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“Tirar o emprego das pessoas? Não acho necessário isso. Tem tanta coisa pra ser mexido. Tem muitas outras coisas pra gente pensar. Eu vejo um monte de criancinha na rua, e poderia estar sendo cuidado disso. Eles alegaram que tinha boca-de-fumo, prostituição, mas retirar os quiosques não vai mudar nada. Não é tirando quiosque de praça que vai resolver. Isso é cultura, é educação, é berço. Agora tirou o emprego de muita gente. Totalmente errado. Já que a falta de organização era algo que estava incomodando a eles, então eles deveriam organizar, e não acabar com tudo. E a primeira coisa que eles tinham que tinha que fazer é arrumar um lugar pra esse povo todo trabalhar, porque se eles tão querendo tirar o povo da rua porque t[a feio ou porque não tá bonito, então tem que dar lugar pra trabalhar, porque senão vai continuar o povo na rua, penso eu, ne? E provavelmente, desculpa eu falar, agora só vai conseguir quiosque quem pagar muito bem por isso . Não é esconder problema que resolve. Acho que tem que fazer de uma forma que fique bom pra todo mundo”.

Marcos Aurélio, vendedor

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“Poxa, vê um lugar pro pessoal, porque são famílias que tão perdendo o pão de cada dia, entendeu. Eles estão levando alguns pra rodoviária, mas isso foi elaborado há quanto tempo? Há um mês, há dois meses? Notificaram eles desde o ano passado? Muitos dizem que não. Muitos falam que simplesmente avisaram num dia e levaram no outro. E não é bem assim que funciona. A gente moa num país que tá sempre precisando de melhorais, de segundas opiniões, como isso que estamos fazendo aqui agora. Democracia não é só ir lá e votar em um ou em outro, não, democracia é todo dia. Democracia é você poder escolher se quer comer um pão doce ou pão de sal, vestir uma roupa preta ou vermelha, é por aí. Quer ver uma coisa? Estão falando que vai ser academia pra terceira idade. É uma boa também, uma ótima. Mas porque não faz uns quiosquezinhos padrão, pequenininhos, pras pessoas poderem tomar uma água de coco, um refrigerante? Em Copacabana não é assim, aqueles quiosques lindos?”

                                                                                                      Jorge Luiz, divulgador

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“Os quiosques em Piabetá eram um meio onde as pessoas se confraternizavam, a pessoa trabalha a semana toda e ali podia chegar com sua família ou amigos, eles geravam esse tipo de coisa. E também emprego, ne. Os que eram donos tinham que ter seus empregados, e eram vários quiosques. E agora com essa derrubada, impossibilitou os proprietários continuarem com seus negócios. Esse foi um alado que tô vendo que favoreceu a uns e a outros não, houve injustiça por esse lado. Tão falando que foi pra melhorar. Mas como que melhora se tá impossibilitando o empresário de gerar emprego? São pessoas que ficaram desempregadas, muitas têm filho, fica sem poder comprar as coisas pra dentro de casa. Achei uma injustiça muito grande por parte da prefeitura”.

Vilson Borges, jornaleiro

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“Os quiosques eram entretenimento, mas convenhamos que as condições deles estavam muito ruins. Lugar muito sujo, e ainda mais que era estabelecimento pra comida, só isso já era algo ruim. Não sei porque a prefeitura decidiu fazer isso agora, se tem a ver com o ano que vem que tem eleição, uns já dizem até que tem a ver com coisa lá da Petrobras, que é pra queimar o dinheiro mesmo…não sei. Se pensar bem, é como tapar o sol com a peneira. Eles podiam reformar e botar o quiosque de volta, só que não vai botar. Independente das condições dos quiosques, tá tirando emprego das pessoas e ninguém gosta disso. E não é a primeira vez que isso acontece aqui. Ali na rodoviária na época da Núbia tinha várias lojas, e aconteceu mais ou menos a mesma coisa. Tiraram as lojas por motivo nenhum, e acabou. Notificaram, e não puderam fazer nada. Aqui eles irão tirar essa banca também, nós já fomos notificados. Disseram pra gente escolher um lugar e eles irão dizer qual eles acharam melhor. Mas no nosso caso, pelo menos, quando terminar a obra, a gente volta pra cá. Eles prometeram construir um calçadão e academia popular”.

                                                                                         Ana Carolina Lima, estudante

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“Eu achei bem melhor porque antigamente era bastante fedorento, algumas pessoas faziam suas necessidades ali, e ficou bem melhor. Aqui pra Magé, Piabetá, a gente não tem nenhuma área de lazer, então muitos amigos meus adolescentes reclamam disso e vão para outros locais, outras cidades, geralmente pra Caxias onde tem o shopping. Aqui não tem opção de lazer pra adolescentes nem pra terceira idade. Então, se realmente essa proposta da construção dessa área de lazer acontecer, a gente vai ficar bastante agradecido”.

Pedro Sobreira, militar

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“Derrubar o quiosque pra fazer o quê? É isso que a gente quer saber. Se for pra fazer alguma coisa melhor, tudo bem. Agora, se for pra deixar do jeito que tá, era melhor ter deixado do jeito que estava. E com certeza aqui não tem nada pra população, eles n]ao trazem muita coisa pra cá, e era bom entretenimento pro pessoal. Se for pra botar alguma coisa melhor, eu até aceito, agora do jeito que está não colocar nada,…daqui a pouco vai é juntar mendigo, viciado, igual essa praça aqui que a gente está, que não tem nada. Olha isso aqui como que tá. Fica ruim até pra trazer as crianças pra brincar”.

                                                                           Roberto Fraga, auxiliar administrativo

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“Primeiro, que aqui era um rio. Largo, água corrente. Meu pai tinha uma barraca de caldo de cana aqui quase em frente ao hospital, que na época era uma Casa de Saúde. De um certo governo pra cá aterraram o rio, canalizaram, depois veio outro prefeito e fez a rodoviária. E de lá começaram a cimentar tudo pra cá. Começou a botar três quiosques, daí foi indo, foi indo, pegou quiosque até lá embaixo. Isso tirou totalmente a liberdade das pessoas. Já não tem a praça como deveria ter, porque não tem espaço. E como tá asfaltado, deveria ser assim: uma área de lazer para a população de Piabetá, como a praça de Magé. Aqui tá faltando esse lugar, de encontro, pras crianças brincarem, se divertirem, etc. Acabava beneficiando somente os quiosques, que eram uma total baderna, era bebedeira, era confusão, era bagunça. Tá certo, que o pessoal tá trabalhando, mas a maioria não era privilegiada. Deixar assim também não adianta. Tem que fazer a obra que tem que fazer. Na época nós não tínhamos o ICMBIO em Magé, mas tinha o Ibama, que fiscalizava a área ambiental. Com certeza agrediram o meio ambiente aqui no centro de Piabetá aterrando o rio, mas se o Ibama permitiu, deu a licença de acordo com lei federal, então foi canalizado e asfaltado para fazer uma praça. Ficaria bonito. E não tirar o direito de ir e vir dos moradores para beneficiar meia dúzia de treiler fazendo baderna a noite toda , tirando o direito das crianças e das famílias de ter um lugar pra se encontrar, bater-papo, etc”.

 

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